CNAE 0321-3/04 Criação de Peixes Ornamentais em Água Salgada e Salobra: Guia para Abrir e Tributar

Peixes-palhaço em aquário de criação marinha, ilustrando o CNAE 0321-3/04

O CNAE 0321-3/04 é o código de quem cria peixes ornamentais marinhos pra aquarismo no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. TamO aquário marinho é um dos hobbies mais sofisticados do aquarismo. Peixe-palhaço, gobies e outras espécies coloridas atraem colecionadores e lbém mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive a opção pelo MEI.

ojas especializadas.

No Brasil, a criação de peixes ornamentais ainda é quase toda de água doce. Os dados são da Epamig. Segundo ela, a Zona da Mata mineira responde por cerca de 70% da produção nacional. São mais de 12 milhões de peixes por ano.

Já os marinhos ainda dependem muito de captura na natureza e de importação. Por isso, quem domina a reprodução em cativeiro encontra um mercado com pouca concorrência. Além disso, o peixe criado em cativeiro costuma se adaptar melhor ao aquário.

Ou seja, é um nicho técnico, com alto valor por peixe. Por isso, entender o CNAE 0321-3/04 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 0321-3/04

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 0321-3/04 corresponde à subclasse “Criação de peixes ornamentais em água salgada e salobra”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção A, que reúne agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Em seguida, vem a divisão 03, o grupo 032 e a classe 03.21-3, da aquicultura em água salgada e salobra.

Segundo a Concla, o código cobre a criação de peixes ornamentais em água salgada e salobra. Na prática, atende laboratórios e criadores que reproduzem espécies marinhas em sistemas fechados com água do mar.

Funções e atividades permitidas no CNAE 0321-3/04

O CNAE 0321-3/04 cobre a reprodução e a criação de peixes ornamentais marinhos, do ovo até o tamanho de venda. Isso vale pra pequenos laboratórios e pra empresas maiores.

Primeiro, o código abrange a manutenção dos reprodutores e a desova em cativeiro. Em seguida, inclui a larvicultura, com alimento vivo e controle rigoroso da água. Por fim, cobre a engorda, a embalagem e a venda dos peixes vivos.

Contudo, a revenda de peixes comprados de terceiros é comércio. Do mesmo modo, a captura de peixes ornamentais na natureza é pesca, com regras próprias. Assim, o CNAE 0321-3/04 vale pra quem cria. Se o negócio também revende, precisa incluir o CNAE de comércio como secundário.

Atividades que não se enquadram no CNAE 0321-3/04

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, a criação de peixes ornamentais em água doce fica no CNAE 0322-1/04. Da mesma forma, a criação de peixes pra consumo usa os CNAEs 0321-3/01 e 0322-1/01.

Também fica de fora o comércio varejista de peixes e acessórios, que tem código próprio. Já a criação de corais, camarões ornamentais e outros organismos pode exigir outros CNAEs.

O CNAE 0321-3/04 pode ser MEI?

Sim, com uma ressalva. O Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018 traz a ocupação de criador de peixes ornamentais em água salgada independente. Portanto, quem só cria e vende peixes ornamentais pode abrir um MEI.

O MEI paga um valor fixo mensal, que inclui o INSS e o ICMS. Contudo, o faturamento não pode passar do limite anual do MEI, hoje de R$ 81 mil. Além disso, só é permitido um empregado.

Além disso, o MEI vale só pra essa ocupação. Se o negócio também revender aquários, rações ou peixes de terceiros, confira se isso cabe no MEI. Por isso, vale planejar o crescimento com o contador.

Tributação do CNAE 0321-3/04

A tributação do CNAE 0321-3/04 depende de duas perguntas. Primeiro, o negócio funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Como pessoa física, o produtor declara a atividade rural no Imposto de Renda. Nesse modelo, ele tributa o resultado do Livro Caixa ou presume 20% da receita como lucro. Além disso, o Funrural de 1,5% costuma ser retido quando o comprador é empresa.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra atividade rural é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária pode ser sobre a receita, perto de 2,05%, ou sobre a folha.

Aqui mora um cuidado importante. Peixes ornamentais vivos não têm a alíquota zero de PIS e Cofins, que vale só pros peixes pra consumo. Por isso, a venda tende a seguir a regra geral, de 3,65% no Lucro Presumido.

Além disso, a Receita Federal trata a piscicultura como atividade rural. Isso abre a opção de recolher a contribuição previdenciária sobre a receita, em vez da folha. Contudo, o enquadramento dos ornamentais precisa ser confirmado com o contador.

No ICMS, as regras mudam conforme o estado e o destino. Além disso, o transporte de peixes vivos entre estados pode exigir documento sanitário. Na exportação, a venda é imune de ICMS, PIS e Cofins.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 0321-3/04

No Simples Nacional, o CNAE 0321-3/04 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos peixes criados pela própria empresa é tributada pelo Anexo I. Isso vale pra venda a lojas, distribuidores e aquaristas.

No entanto, a revenda de peixes comprados de terceiros também fica no Anexo I, mas como comércio. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo I: venda de peixes ornamentais da produção própria

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,00%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,30%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,009,50%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0010,70%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,30%87.300,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0019,00%378.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 180 mil de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 4,00%. Assim, se vender R$ 15 mil em peixes num mês, vai pagar perto de R$ 600 de DAS.

Atenção: quem fatura até o limite do MEI paga um valor fixo mensal, bem menor que o DAS do Simples. Contudo, ao passar do limite, a empresa precisa migrar pra microempresa.

O que é Fator R e por que ele não vale pra aquicultura

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 0321-3/04, porque a criação de peixes ornamentais tá no Anexo I.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 0321-3/04

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, traz pontos de atenção pros ornamentais. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 0321-3/04 é a redução pros produtos aquícolas in natura. A Emenda Constitucional nº 132/2023 prevê redução de 60% pra esses produtos, e a LC 214/2025 detalha a lista. Contudo, como os ornamentais não são alimento, o enquadramento precisa ser confirmado pela NCM.

Além disso, há o regime do produtor rural não contribuinte, pra quem fatura menos de R$ 3,6 milhões por ano. Mesmo assim, a empresa que compra dele pode usar crédito presumido.

Também vale olhar o MEI e o Simples. Quem está nesses regimes segue pagando pelo DAS, com regras próprias na transição. Além disso, a exportação segue imune, com direito a manter os créditos das compras.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, quem trabalha com peixes ornamentais deve começar pelos registros. Afinal, sem eles, a produção nem pode circular nem ser vendida.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 0321-3/04, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, defina as espécies que vai criar. Muitas espécies marinhas têm regras de captura e comércio, e algumas são protegidas. Em seguida, confira as listas de espécies permitidas e as licenças exigidas.

Depois disso, obtenha o licenciamento ambiental no órgão estadual, quando exigido. Além disso, faça o registro de aquicultor no RGP, no Ministério da Pesca e Aquicultura.

Também cuide da sanidade e da logística. Peixes vivos precisam de embalagem correta, oxigênio e transporte rápido. Do mesmo modo, a água do mar e os sistemas de filtragem exigem controle diário.

Por fim, defina o canal de venda. Lojas, distribuidores e vendas online têm exigências diferentes de nota fiscal e de transporte.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 0321-3/04

Abrir uma empresa com o CNAE 0321-3/04 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da aquicultura. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial do estado, com o endereço rural e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “criação de peixes ornamentais” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de peixes ornamentais. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, organize o registro de aquicultor, as licenças e o canal de venda. Só então o negócio tá pronto pra vender com tudo em dia.

Gestão financeira na criação de ornamentais

A gestão financeira da criação de ornamentais marinhos exige controle fino, porque cada peixe vale muito. Uma falha na água pode perder um lote inteiro de larvas. Por isso, a reserva e o controle de perdas são decisivos. Além disso, energia e equipamentos reserva evitam perdas em quedas de luz.

Em primeiro lugar, separe as contas do negócio das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Ração, alevinos, mão de obra e energia concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, a conversão alimentar define a margem de cada ciclo.

Também vale entender a contabilidade da criação. Os peixes em crescimento são ativo biológico e precisam ser controlados no estoque. Além disso, aquários, bombas e filtros são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o controle por lote evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Mortalidade de peixes, alta da ração, problemas na licença e queda de preço podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro rural e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 0321-3/04

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 0321-3/04. Isso porque o peixe ornamental não tem a alíquota zero dos peixes pra consumo.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 180 mil de receita anual vendendo peixes marinhos pra lojas de aquarismo. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 4,0%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins e a contribuição previdenciária de 2,05%, o total chega perto de 7,98%.

Ou seja, nesse cenário, o Simples sai mais barato que o Lucro Presumido. Contudo, abaixo do limite do MEI, o valor fixo mensal tende a ser ainda menor. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar MEI, Simples e Lucro Presumido e planejar a migração quando o faturamento crescer. Também vale acompanhar se a receita passa de R$ 3,6 milhões. Esse limite muda a condição de contribuinte na reforma.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 0321-3/04

O CNAE 0321-3/04 pode ser MEI?

Sim. A ocupação de criador de peixes ornamentais em água salgada independente está no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018.

Loja de aquário entra no CNAE 0321-3/04?

Não. A venda de peixes comprados e de acessórios é comércio, com código próprio.

Criação de peixes ornamentais de água doce entra no CNAE 0321-3/04?

Não. Ela fica no CNAE 0322-1/04.

Peixe ornamental paga CBS e IBS com a reforma?

Depende da NCM. Como não é alimento, o enquadramento na redução precisa ser confirmado com o contador.

Conclusão

O CNAE 0321-3/04 organiza a criação de peixes ornamentais marinhos pra aquarismo. Além disso, aceita MEI, o que facilita a formalização de quem está começando.

Na parte dos impostos, o peixe ornamental segue a regra geral de PIS e Cofins. Por isso, escolher entre MEI, Simples ou Lucro Presumido exige simulação, e não palpite.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você cria peixes ornamentais ou quer abrir uma empresa rural, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

Fale com um especialista da RR Soluções e descubra quanto sua criação pode economizar com o regime certo.

Deixe seu comentário

Olá! Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp