A reforma tributária chegou para mudar tudo que você conhecia sobre impostos no Brasil. E se você é médico, advogado, arquiteto ou qualquer outro profissional liberal, já pode ir se preparando: a conta vai mudar, e não necessariamente para melhor.
A boa notícia? Dá para se planejar. A má notícia? Quem deixar para a última hora vai sentir o impacto no bolso de um jeito bem mais pesado.
O que muda, afinal?
A reforma tributária, aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, substitui cinco tributos conhecidos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal.
A transição começa em 2026, com alíquotas-teste, e em 2027 o PIS e a Cofins deixam de existir. O processo de transição completo vai até 2033, quando o ISS também será extinto definitivamente.
Para o profissional liberal, isso muda a lógica toda. Hoje, quem atua como pessoa jurídica no regime de Lucro Presumido paga 8% de IRPJ mais 2,88% de CSLL, totalizando cerca de 10,88% de carga tributária. Com a chegada da CBS e do IBS, esse cenário muda bastante.
Quanto vai aumentar o imposto?
A alíquota padrão estimada do IBS somado à CBS é de 26,5%. Aplicar essa alíquota cheia sobre o faturamento de um profissional liberal representaria um salto gigante na carga tributária.
Para suavizar esse impacto, a lei criou uma redução de 30% nas alíquotas para profissionais liberais de profissões regulamentadas, o que leva a alíquota para 18,55%. Somando isso aos 10,88% de IRPJ e CSLL, a carga tributária efetiva total chega a aproximadamente 29,43%, quase o dobro do que muitos profissionais pagam hoje.
Para ter uma ideia prática: uma sociedade médica que fatura R$ 10 milhões por ano pagava cerca de R$ 503 mil anuais no regime de ISS fixo. Com a alíquota cheia da reforma, essa conta sobe para R$ 2,8 milhões. Mesmo com a redução de 30%, o valor cai para R$ 1,96 milhão, ainda assim quase quatro vezes mais do que o custo atual.
Quem tem direito à alíquota reduzida?
Nem todo profissional liberal ganha automaticamente o desconto de 30%. Médicos, por exemplo, podem ter uma redução ainda maior, de 60%, por atuarem na área da saúde. Mas há condições.
Para pessoa física, basta que o serviço prestado seja diretamente relacionado à habilitação profissional. Para pessoa jurídica, a sociedade precisa cumprir critérios cumulativos: todos os sócios devem ter habilitação profissional relacionada ao objeto da empresa, estar regularmente inscritos no conselho de classe, e a sociedade não pode ter sócios que sejam pessoas jurídicas.
A lista de profissões contempladas com a redução de 30% inclui advocacia, arquitetura e urbanismo, contabilidade, economia, engenharia, medicina, odontologia, psicologia, nutrição, fisioterapia, farmácia, enfermagem, jornalismo, entre outras profissões regulamentadas.
Mas atenção: a lista é taxativa, ou seja, quem não está nela paga a alíquota cheia, que pode chegar a 37,38% na carga total.
E quem está no Simples Nacional?
Quem tem faturamento abaixo de R$ 3,6 milhões por ano pode continuar optando pelo Simples Nacional, que garante uma alíquota limitada a 22%. Para quem superar esse limite, a análise precisa ser mais cuidadosa, e o planejamento tributário passa a ser indispensável.
As empresas do Simples terão até setembro de 2026 para decidir se, em 2027, continuam no regime favorecido ou migram para o novo sistema tributário. É uma decisão que pode fazer muita diferença no resultado do ano.
O que fazer agora?
Esperar 2027 para entender o impacto é o maior erro que um profissional liberal pode cometer nesse momento. A transição já começou, as regras já estão definidas e quem não fizer um diagnóstico do seu cenário tributário agora vai tomar um susto feio na hora H.
Revisar o contrato social, verificar o enquadramento da sociedade, simular cenários com e sem o benefício da alíquota reduzida, avaliar se vale mais a pena atuar como pessoa física ou jurídica: tudo isso precisa estar na mesa antes de 2027 chegar.
A reforma tributária para profissionais liberais não é catástrofe nem festa. É uma mudança real que exige ação real.
Ficou com dúvidas sobre como a reforma tributária vai impactar o seu consultório, escritório ou estúdio?
A RR Soluções em Contabilidade está pronta para analisar o seu caso e te ajudar a pagar menos imposto dentro da lei. Fale agora com um dos nossos especialistas pelo WhatsApp.


