O CNAE 0133-4/04 é o código de quem planta limão, tangerina, lima ou pomelo no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, que mantém a fruta fresca com alíquota zero.
Limão e tangerina são os cítricos que mais crescem depois da laranja. Segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, o Brasil colheu 1,72 milhão de toneladas de limão em 2024. No mesmo ano, a tangerina somou 1,02 milhão de toneladas.
Os números foram reunidos pela Emdagro, de Sergipe, na conjuntura da citricultura de junho de 2026. O Sudeste concentra a maior parte, com 1,4 milhão de toneladas de limão e 662 mil de tangerina.
O limão tahiti também virou estrela da exportação. Segundo o USDA, o Brasil embarcou o recorde de 175,8 mil toneladas em 2024. A maior parte vai pra União Europeia, principalmente pros Países Baixos.
Ou seja, é um segmento que combina mercado interno forte e exportação em alta. Por isso, entender o CNAE 0133-4/04 ajuda o produtor a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.
O que é o CNAE 0133-4/04
A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.
O CNAE 0133-4/04 corresponde à subclasse “Cultivo de cítricos, exceto laranja”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção A, de agricultura e pecuária. Em seguida, vem a divisão 01, o grupo 013 e a classe 01.33-4, das demais frutas permanentes.
Na prática, o código atende quem planta limão tahiti, limão-cravo, tangerina, ponkan, murcote, lima e pomelo. A laranja, por outro lado, tem código próprio, o CNAE 0131-8/00.
Funções e atividades permitidas no CNAE 0133-4/04
O CNAE 0133-4/04 cobre a implantação do pomar, a condução das plantas e a colheita dos frutos cítricos. Além disso, ele inclui uma atividade complementar importante pra renovar a lavoura.
Primeiro, o código abrange todo o ciclo, do plantio das mudas à colheita. Em seguida, ele permite a produção de mudas, desde que seja complementar ao cultivo. Na prática, porém, as mudas precisam vir de viveiros telados e registrados, por causa do greening.
O produtor também pode lavar, selecionar, encerar e embalar a fruta. Isso é comum no limão de exportação, que exige padrão rigoroso. Contudo, fazer suco ou óleo essencial já é atividade industrial.
Atividades que não se enquadram no CNAE 0133-4/04
Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.
Primeiramente, a laranja fica no CNAE 0131-8/00. Da mesma forma, mudas certificadas de citros usam o CNAE 0142-3/00. Além disso, a poda pra terceiros fica no 0161-0/02, e outros serviços sob contrato no 0161-0/03.
A indústria também tem códigos específicos. Sucos ficam nos CNAEs 1033-3/01 e 1033-3/02, conforme o produto. Já as conservas usam o CNAE 1031-7/00.
O CNAE 0133-4/04 pode ser MEI?
Não. O CNAE 0133-4/04 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra plantar limão ou tangerina.
Na real, o produtor de cítricos costuma atuar como pessoa física com inscrição de produtor ou como empresa limitada. Os exportadores de limão, em geral, são empresas organizadas com packing house próprio. Já a tangerina tem muitos pequenos produtores familiares, principalmente em Minas e no Sul.
Tributação do CNAE 0133-4/04
A tributação do CNAE 0133-4/04 depende de duas perguntas. Primeiro, o produtor atua como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?
Como pessoa física, o produtor declara a atividade rural no Imposto de Renda. Nesse modelo, ele tributa o resultado do Livro Caixa ou presume 20% da receita como lucro. Além disso, o packing house ou atacadista costuma reter o Funrural de 1,5% na compra da fruta.
Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra atividade rural é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária pode ser sobre a receita, perto de 2,05%, ou sobre a folha.
Agora vem a boa notícia. Limão, tangerina e os demais cítricos in natura têm alíquota zero de PIS e Cofins. A regra é do art. 28 da Lei nº 10.865/2004, que beneficia frutas e hortícolas.
No ICMS, as frutas frescas costumam ser isentas nas operações internas, com base no Convênio ICM 44/75. Contudo, as operações interestaduais exigem atenção. Por isso, o contador precisa conferir as regras de cada estado.
Na exportação, a situação fica ainda melhor. A venda ao exterior é imune de ICMS, PIS e Cofins. Isso vale também pra exportação por trading, segundo o STF no RE 759.244.
Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 0133-4/04
No Simples Nacional, o CNAE 0133-4/04 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos cítricos produzidos no próprio pomar é tributada pelo Anexo I. Isso vale tanto pra fruta de mesa quanto pro limão embalado pra exportação.
No entanto, se a empresa produzir suco, essa receita vai pro Anexo II. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.
Anexo I: venda de cítricos da produção própria
| Faixa | Receita bruta em 12 meses (R$) | Alíquota nominal | Valor a deduzir (R$) |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até 180.000,00 | 4,00% | 0,00 |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 7,30% | 5.940,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 9,50% | 13.860,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 10,70% | 22.500,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 14,30% | 87.300,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 19,00% | 378.000,00 |
A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.
Por exemplo, uma empresa com R$ 1,5 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 9,20%. Se a venda for exportação, as parcelas de PIS, Cofins e ICMS saem do DAS. Nesse caso, a alíquota cai pra cerca de 4,7%.
| Atenção: na exportação, o Simples permite segregar ICMS, PIS, Cofins e IPI no PGDAS-D. Mesmo assim, IRPJ, CSLL e CPP continuam no DAS, o que costuma pesar contra o regime. |
O que é Fator R e por que ele não vale pros cítricos
O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.
Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 0133-4/04, porque o cultivo de cítricos tá no Anexo I.
Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a prestar assistência técnica pra outros produtores como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.
Reforma tributária e o CNAE 0133-4/04
A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, preserva o tratamento favorável dos cítricos. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.
O ponto principal pro CNAE 0133-4/04 é a alíquota zero das frutas frescas. A LC 214/2025 lista frutas, hortícolas e ovos no Anexo XV, com CBS e IBS zerados. Assim, limão e tangerina in natura seguem sem tributo sobre o consumo.
Além disso, há o regime do produtor rural não contribuinte. Quem fatura menos de R$ 3,6 milhões por ano não é contribuinte da CBS e do IBS. Mesmo assim, o packing house que compra dele pode usar crédito presumido.
Também há redução de 60% pros insumos agropecuários, como mudas, fertilizantes e defensivos. Isso pesa bastante nos cítricos, que exigem muitas aplicações pra controlar o psilídeo do greening. Por fim, a exportação segue imune.
Outro ponto merece atenção. No regime regular da CBS e do IBS, a compra de máquinas e sistemas de irrigação também gera crédito. Assim, quem está implantando ou renovando a área pode recuperar parte do investimento.
Calendário da transição
Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.
Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.
Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, o exportador de limão deve planejar bem o crédito acumulado na reforma. Afinal, quem exporta muito pode acumular créditos de insumos e precisa de rotina pra pedir o ressarcimento.
O que analisar antes de abrir o CNPJ
Antes de abrir uma empresa com o CNAE 0133-4/04, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.
Primeiro, confira a sanidade da área. O greening e o cancro cítrico exigem mudas sadias, controle de vetores e eliminação de plantas doentes. Em seguida, avalie o histórico dessas doenças na região.
Depois disso, confira a situação da terra e da água. A propriedade precisa estar regular, com CCIR, ITR em dia e o CAR atualizado. Além disso, a irrigação exige outorga de uso da água.
Se a ideia é exportar, prepare as certificações e o registro do pomar no Mapa. A União Europeia exige rastreabilidade e controle de resíduos de defensivos. Por isso, o caderno de campo precisa estar sempre em dia.
Por fim, organize a mão de obra da colheita, que se repete várias vezes por ano no limão. Contratos de safra, registro no eSocial e cumprimento da NR-31 são indispensáveis.
Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 0133-4/04
Abrir uma empresa com o CNAE 0133-4/04 segue o processo da Redesim, com algumas etapas próprias do agro. Veja como funciona, na ordem certa.
Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial do estado, com o endereço rural e o CNAE principal.
Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “cultivo de cítricos, exceto laranja” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.
Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de cítricos. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.
Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.
Por fim, formalize o vínculo com a terra, por arrendamento ou integralização. Só então a operação tá pronta pra vender a safra com tudo em dia.
Gestão financeira no pomar de cítricos
A gestão financeira dos cítricos exige visão de longo prazo. Um pomar leva alguns anos pra produzir bem e pode durar mais de 15 anos. Por isso, o planejamento precisa ir muito além de uma safra.
Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito rural. Além disso, acompanhe o custo por caixa e por hectare.
Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Defensivos, fertilizantes, mão de obra e embalagens concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, quem exporta precisa acompanhar o câmbio, que mexe direto na receita.
Também vale entender a contabilidade do pomar. Como a lavoura dura muitos anos, o custo de implantação é tratado como investimento. Ele vai sendo apropriado ao longo da vida produtiva das plantas. Por isso, registrar esses gastos desde o início evita distorções no lucro e no imposto.
Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Greening, seca, câmbio e oscilação de preço do limão podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro rural e controle de dívidas é questão de sobrevivência.
Planejamento tributário para o CNAE 0133-4/04
O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 0133-4/04. Isso porque os cítricos têm benefícios que o Simples não aproveita totalmente.
Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 1,5 milhão de receita anual, toda vendida pra exportação. No Simples Nacional, mesmo com o desconto da exportação, a alíquota fica em torno de 4,7%.
No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Como a exportação é imune a PIS, Cofins e contribuição sobre a receita, o total fica perto de 2,3%. Ou seja, o Simples pode custar mais que o dobro nesse cenário.
Ou seja, pro exportador de limão, o Lucro Presumido costuma sair bem mais barato que o Simples. Contudo, o resultado depende do porte e das despesas da operação. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.
Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar pessoa física e jurídica, avaliar exportação direta ou por trading e definir a opção pela CBS. Também vale acompanhar se a receita passa de R$ 3,6 milhões. Esse limite muda a condição de contribuinte na reforma.
Perguntas frequentes sobre o CNAE 0133-4/04
Laranja entra no CNAE 0133-4/04?
Não. A laranja tem código próprio, o CNAE 0131-8/00. Esse código cobre limão, tangerina, lima e pomelo.
O CNAE 0133-4/04 permite produzir mudas de citros?
Sim, desde que seja complementar ao cultivo. Mudas certificadas exigem o CNAE 0142-3/00.
O limão paga PIS e Cofins?
O limão in natura tem alíquota zero, e a exportação é imune. No Simples, porém, nem todo benefício é aproveitado.
Os cítricos pagam CBS e IBS com a reforma?
Não. As frutas frescas estão no Anexo XV da LC 214/2025, com alíquota zero de CBS e IBS.
Conclusão
O CNAE 0133-4/04 é o ponto de partida pra transformar o pomar de limão ou tangerina numa empresa organizada. Ele permite plantar, conduzir, colher, embalar e produzir mudas de forma complementar. No entanto, não aceita MEI e exige atenção à sanidade e ao caixa.
Na parte dos impostos, os cítricos frescos são bem tratados hoje e continuam assim na reforma. Mesmo assim, o Simples não aproveita todos esses benefícios. Por isso, escolher entre pessoa física, Simples ou Lucro Presumido exige simulação, e não palpite.
Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você produz limão ou tangerina ou quer abrir uma empresa rural, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.
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