CNAE 0721-9/01 Extração de Minério de Alumínio (Bauxita): Guia para Abrir e Tributar

Mina de bauxita a céu aberto no Pará, ilustrando o CNAE 0721-9/01

O CNAE 0721-9/01 é o código de quem extrai bauxita, o minério de alumínio no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive a CFEM e o Imposto Seletivo.

A bauxita é a matéria-prima do alumínio. Depois de extraída, ela vira alumina nas refinarias, e a alumina vira alumínio nas fundições.

O Pará domina a produção nacional. Segundo o Anuário Mineral da ANM, o Brasil extraiu 46,4 milhões de toneladas brutas de bauxita em 2024.

O valor comercializado chegou a R$ 3,6 bilhões, segundo a mesma fonte. Desse total, cerca de 91% veio do Pará, com Goiás e Minas Gerais bem atrás. Além disso, parte da bauxita brasileira abastece refinarias de alumina no próprio Pará.

Ou seja, é uma atividade concentrada, de grande porte e ligada à cadeia do alumínio. Por isso, entender o CNAE 0721-9/01 ajuda a operar dentro da lei e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 0721-9/01

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 0721-9/01 corresponde à subclasse “Extração de minério de alumínio”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção B, das indústrias extrativas. Em seguida, vem a divisão 07, o grupo 072 e a classe 07.21-9, da extração de minério de alumínio.

Segundo a Concla, o código cobre a extração de minério de alumínio, a bauxita. Na prática, atende mineradoras que operam minas a céu aberto, principalmente no oeste e no nordeste do Pará.

Funções e atividades permitidas no CNAE 0721-9/01

O CNAE 0721-9/01 cobre a retirada da bauxita da jazida até a pilha de minério bruto. Em geral, a lavra é feita em faixas, com recuperação da área logo depois.

Primeiro, o código abrange a supressão da vegetação autorizada e a remoção do solo. Em seguida, inclui o desmonte, o carregamento e o transporte interno da bauxita. Por fim, cobre a venda do minério bruto.

Contudo, a lavagem, a britagem e a secagem da bauxita são beneficiamento, com código próprio. Do mesmo modo, a produção de alumina e de alumínio é metalurgia. Assim, o CNAE 0721-9/01 vale pra extração.

Atividades que não se enquadram no CNAE 0721-9/01

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, o beneficiamento da bauxita fica no CNAE 0721-9/02. Da mesma forma, as atividades de apoio feitas sob contrato usam o CNAE 0990-4/02.

Também ficam de fora a produção de alumina e de alumínio, que pertencem à metalurgia. Do mesmo modo, a fabricação de produtos de alumínio é indústria de transformação.

O CNAE 0721-9/01 pode ser MEI?

Não. O CNAE 0721-9/01 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra extrair bauxita.

Na real, a extração de bauxita exige título da ANM, licenças ambientais, recuperação de áreas degradadas e grande escala. Por isso, ela é feita por mineradoras de grande porte, muitas vezes ligadas a refinarias. Afinal, a mina e a refinaria costumam funcionar como uma cadeia só.

Tributação do CNAE 0721-9/01

A tributação do CNAE 0721-9/01 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na mineração, a pessoa física só atua em casos específicos, como a permissão de lavra garimpeira. Na maior parte dos casos, o título minerário fica com uma empresa. Afinal, a lavra exige estrutura técnica e responsável habilitado. Por isso, a pessoa jurídica é o caminho mais comum.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.

O primeiro tributo específico é a CFEM, a compensação pela exploração mineral. Pra bauxita, a alíquota é de 3%, segundo a Lei nº 13.540/2017. Ela incide sobre a receita da venda, descontados os tributos, e é paga em qualquer regime. Além disso, o atraso gera multa e juros cobrados pela ANM.

Além disso, a venda de bauxita segue a regra geral de PIS e Cofins, de 3,65% no Lucro Presumido. No ICMS, as regras mudam conforme o estado e o destino. Já na exportação, a venda é imune de ICMS, PIS e Cofins.

Outro ponto é a classificação no Simples Nacional. Segundo a Solução de Consulta Cosit nº 1/2018, a extração mineral sem industrialização fica no Anexo I. Contudo, operações que caracterizem industrialização levam a receita pro Anexo II.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 0721-9/01

No Simples Nacional, o CNAE 0721-9/01 não tá sujeito ao Fator R. A venda de bauxita extraído pela própria empresa costuma ser tributada pelo Anexo I. Isso segue o entendimento da Receita de que a extração mineral não é industrialização.

No entanto, a maioria das mineradoras desse porte ultrapassa o limite do Simples. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo I: venda de bauxita da produção própria

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,00%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,30%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,009,50%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0010,70%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,30%87.300,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0019,00%378.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 11,87%. Assim, se vender R$ 300 mil de bauxita num mês, vai pagar perto de R$ 35.620 de DAS.

Atenção: a CFEM é paga além dos tributos do regime escolhido, inclusive no Simples. Por isso, ela precisa entrar em qualquer simulação de custo.

O que é Fator R e por que ele não vale pra mineração

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 0721-9/01, porque a extração mineral tá no Anexo I.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender serviços de geologia ou engenharia pra outras mineradoras. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 0721-9/01

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda bastante a conta da mineração. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 0721-9/01 é a alíquota. Os bens minerais não têm redução de CBS e IBS e seguem a alíquota padrão. Contudo, a exportação segue imune, e o novo sistema dá crédito amplo nas compras de diesel, energia e equipamentos.

O segundo ponto é o Imposto Seletivo, cobrado sobre a extração a partir de 2027. Segundo análises da LC 214/2025, a lista alcança minério de ferro, petróleo, óleos betuminosos e gás natural. Assim, a bauxita tende a ficar fora dessa cobrança, o que precisa ser confirmado.

Por fim, a CFEM continua existindo depois da reforma. Ela não é tributo sobre consumo, e sim uma compensação pela exploração do recurso mineral. Por isso, o planejamento precisa somar CFEM, CBS, IBS e, quando houver, o Imposto Seletivo.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, quem atua na mineração deve organizar primeiro o título minerário e as licenças. Afinal, sem eles, o minério nem pode ser vendido.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 0721-9/01, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, garanta o título minerário na Agência Nacional de Mineração, a ANM. A pesquisa exige autorização, e a lavra depende de concessão, licenciamento ou permissão, conforme o mineral. Em seguida, confira se a área tem conflitos com terras indígenas ou unidades de conservação.

Depois disso, obtenha o licenciamento ambiental, que costuma exigir estudo de impacto. Além disso, barragens de rejeito seguem a Política Nacional de Segurança de Barragens, com regras mais rígidas desde 2020.

Também organize as obrigações com a ANM. A empresa recolhe a CFEM todo mês e entrega o Relatório Anual de Lavra. Do mesmo modo, alguns estados cobram taxas de fiscalização da atividade mineral.

Por fim, cuide da segurança. A NR-22 traz regras específicas pra mineração, com gerenciamento de riscos e treinamento da equipe.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 0721-9/01

Abrir uma empresa com o CNAE 0721-9/01 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da mineração. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “extração de minério de alumínio” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de bauxita. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, garanta a concessão de lavra na ANM e a licença ambiental de operação. Só então a operação tá pronta pra vender com tudo em dia.

Gestão financeira na mineração de bauxita

A gestão financeira de uma mina de bauxita depende do preço do alumínio e da demanda das refinarias. Muitas vezes, a mina vende pra uma refinaria do mesmo grupo. Por isso, os preços de transferência precisam ser bem documentados. Do mesmo modo, a recuperação das áreas lavradas precisa entrar no orçamento desde o início.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso a financiamento. Além disso, acompanhe o custo por tonelada produzida.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Diesel, energia, explosivos, manutenção e frete concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o preço segue o mercado internacional e o câmbio, o que pede proteção financeira.

Também vale entender a contabilidade da mina. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento da jazida são recuperados pela exaustão, conforme o minério é extraído. Além disso, a empresa precisa provisionar o custo de fechamento da mina. Por isso, a contabilidade precisa acompanhar a vida útil da jazida.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Queda do preço internacional, variação do câmbio, paralisações por licença e acidentes podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro operacional e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 0721-9/01

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 0721-9/01. Isso porque a CFEM, a folha e o ICMS pesam bastante na conta.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual vendendo bauxita. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 11,9%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins, o total chega perto de 5,93%, sem contar o ICMS e a CFEM. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.

Ou seja, nesse cenário, o Lucro Presumido tende a sair mais barato que o Simples. Contudo, mineradoras maiores ficam obrigadas ao Lucro Real, que permite créditos de PIS e Cofins. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar Lucro Presumido e Lucro Real, planejar a CFEM e avaliar a exportação. Também vale acompanhar a regulamentação do Imposto Seletivo, que começa a valer em 2027.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 0721-9/01

Produção de alumina entra no CNAE 0721-9/01?

Não. A alumina e o alumínio pertencem à metalurgia, com códigos próprios.

Qual é a CFEM da bauxita?

A alíquota é de 3% sobre a receita da venda, segundo a Lei nº 13.540/2017.

A bauxita paga Imposto Seletivo?

Segundo análises da LC 214/2025, a bauxita não está entre os bens minerais sujeitos ao imposto. Contudo, isso precisa ser confirmado.

O CNAE 0721-9/01 pode ser MEI?

Não. A extração de bauxita não está entre as ocupações permitidas ao MEI.

Conclusão

O CNAE 0721-9/01 organiza a extração de bauxita, o primeiro elo da cadeia do alumínio. No entanto, não aceita MEI e exige título da ANM, licenças ambientais e recuperação das áreas lavradas.

Na parte dos impostos, a mina paga CFEM, PIS, Cofins e ICMS, e a reforma muda a lógica dos créditos. Por isso, escolher o regime exige simulação, e não palpite.

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