O CNAE 4692-3/00 é o código de quem vende mercadorias variadas, principalmente insumos agropecuários, no atacado no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as reduções pra insumos agropecuários.
Muitas revendas e cooperativas vendem de tudo pro produtor, de adubo a ferramentas e ração. Quando os insumos agropecuários predominam, o código é este.
O agro brasileiro consome muito fertilizante. Segundo a Anda, citada pela Forbes Brasil, as entregas de fertilizantes somaram 49,11 milhões de toneladas em 2025.
Foi um recorde, com alta de 7,7%, e a maior parte da matéria-prima ainda é importada. Por isso, o atacado de insumos agrícolas movimenta valores enormes.
Por isso, entender o CNAE 4692-3/00 ajuda a se formalizar, ganhar contratos e pagar só o imposto necessário.
O que é o CNAE 4692-3/00
A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.
O nome oficial é “Comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários”. Na estrutura da Concla/IBGE, ele fica na seção G, do comércio. Em seguida, vem a divisão 46, do comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas. Depois, vêm o grupo 469 e a classe 46.92-3, de mercadorias em geral com predominância de insumos agropecuários.
Segundo a Concla, o código cobre o atacado de mercadorias em geral com predominância de insumos agropecuários. Ou seja, insumos são a maior parte, mas há outras linhas.
No atacado de insumos agrícolas, o CNAE certo pesa muito. Afinal, ele define a alíquota zero, a redução do ICMS e o tratamento na reforma.
Funções e atividades permitidas no CNAE 4692-3/00
O CNAE 4692-3/00 é o código dos atacados agropecuários multilinha. Ou seja, ele recebe quem vende um mix amplo pro campo, com foco em insumos.
Primeiro, a empresa compra fertilizantes, defensivos, sementes, ração e ferramentas. Em seguida, organiza o estoque pra safra. Depois, vende pra produtores, cooperativas e revendas menores.
Além disso, entram arames, cercas, ferramentas e materiais pra fazenda. Do mesmo modo, as cooperativas com atacado de insumos costumam usar este código.
Atividades que não se enquadram no CNAE 4692-3/00
Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.
Primeiramente, o atacado só de defensivos e fertilizantes fica no CNAE 4683-4/00. Da mesma forma, o atacado com predominância de alimentos usa o CNAE 4691-5/00.
Também fica de fora o varejo de produtos agropecuários, no CNAE 4789-0/04.
O CNAE 4692-3/00 pode ser MEI?
Não. O CNAE 4692-3/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra vender insumos no atacado.
Na real, o atacado agropecuário exige capital, registros e inscrição estadual. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.
Vale um esclarecimento. O comércio atacadista não tem ocupação no Anexo XI do MEI. Por isso, a atividade pede uma empresa de outro porte, com inscrição estadual.
Tributação do CNAE 4692-3/00
A tributação do CNAE 4692-3/00 depende de duas perguntas. Primeiro, o produto é insumo com alíquota zero ou outra mercadoria? Depois, qual é o regime tributário da empresa?
Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Na prática, produtores, cooperativas e revendas exigem nota fiscal e inscrição estadual.
No PIS e na Cofins, fertilizantes, defensivos, sementes e corretivos têm alíquota zero, pela Lei nº 10.925/2004. Já ferramentas, arames e outras mercadorias seguem a regra geral.
No ICMS, o Convênio ICMS 100/1997 reduz a base de vários insumos agropecuários. Contudo, as demais mercadorias seguem as regras de cada estado.
Vale um cuidado com a importação. O atacadista que importa direto é equiparado a industrial pro IPI e recolhe o imposto também na revenda. Por isso, a decisão de importar muda o preço de venda.
No Lucro Presumido, a presunção pra revenda é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Contudo, as margens do atacado variam muito. Por isso, a simulação com os números reais é indispensável.
Vale um cuidado com os registros. Defensivos e fertilizantes exigem registros no Mapa e no órgão estadual, além de responsável técnico. Por isso, cada linha precisa estar regularizada antes da venda.
Vale lembrar também do calendário. A opção pelo Simples ou pelo Lucro Presumido vale pro ano todo. Por isso, a simulação deve ser feita antes da virada do ano, com a previsão de vendas.
Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 4692-3/00
No Simples Nacional, o CNAE 4692-3/00 vai pro Anexo I, como comércio. A regra vale enquanto a receita ficar dentro do limite de R$ 4,8 milhões.
Contudo, no Simples, a alíquota zero de PIS e Cofins dos insumos não sai do DAS. Por isso, quem vende muito insumo pode pagar mais no Simples do que no Presumido.
No Anexo I, a contribuição patronal ao INSS já vem dentro do DAS. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.
Anexo I: comércio
| Faixa | Receita bruta em 12 meses (R$) | Alíquota nominal | Valor a deduzir (R$) |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até 180.000,00 | 4,00% | 0,00 |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 7,30% | 5.940,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 9,50% | 13.860,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 10,70% | 22.500,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 14,30% | 87.300,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 19,00% | 378.000,00 |
A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.
Por exemplo, uma empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 8,82%. Assim, se faturar R$ 100 mil num mês, vai pagar perto de R$ 8.820 de DAS.
| Atenção: no atacado de insumos agrícolas, PIS e Cofins zerados e redução de ICMS mudam toda a conta. Por isso, o Simples pode sair mais caro que o Lucro Presumido. |
O que é Fator R e por que ele não vale pro CNAE 4692-3/00
O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.
Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 4692-3/00, porque o comércio fica no Anexo I, que não depende da folha.
Ainda assim, vale entender o conceito. Se a empresa faturar à parte serviços como consultoria ou marketing pra fornecedores, essas receitas podem cair no Anexo V. Nesse caso, o Fator R entra no jogo.
Reforma tributária e o CNAE 4692-3/00
A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda bastante o agronegócio. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.
O primeiro ponto pro CNAE 4692-3/00 é a regra dos insumos agropecuários. A LC 214/2025 reduz em 60% a CBS e o IBS dos insumos do Anexo IX. Entram fertilizantes, defensivos e corretivos.
Além disso, muitos clientes são produtores rurais. Quem fatura abaixo de R$ 3,6 milhões por ano pode ficar fora do IBS e da CBS, pelo artigo 164. Por isso, o atacadista precisa conhecer o perfil de cada cliente.
Vale lembrar também do crédito. Produtores e cooperativas do regime regular vão tomar crédito sobre os insumos. Por isso, a nota fiscal certa vira argumento de venda.
Do mesmo modo, o PIS e a Cofins acabam em 2027, junto com a alíquota zero atual. Por isso, os contratos de venda e de barter precisam prever a mudança.
Calendário da transição
Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS caem aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.
Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.
Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, o atacado agropecuário multilinha precisa separar bem o cadastro. Afinal, adubo e arame têm impostos bem diferentes.
O que analisar antes de abrir o CNPJ
Antes de abrir uma empresa com o CNAE 4692-3/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.
Primeiro, peça a inscrição estadual e confira as exigências do município pro depósito. O alvará precisa permitir armazenagem e comércio atacadista.
Depois disso, faça os registros exigidos pra cada linha e contrate o responsável técnico. Também organize o depósito, com área isolada pra defensivos.
Também organize o cadastro de produtos. NCM, CEST e regra de ICMS de cada item precisam estar certos na nota. Por isso, a revisão do cadastro com o contador é essencial.
Por fim, organize a logística e o crédito. Frete, prazos e análise de crédito dos lojistas pesam muito na margem. Assim, a empresa protege o caixa.
Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 4692-3/00
Abrir uma empresa com o CNAE 4692-3/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias do atacado de alimentos. Veja como funciona, na ordem certa.
Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na prefeitura, com o endereço da sede e o CNAE principal.
Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “atacado de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários”. Inclua também os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.
Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra registrar as compras e emitir a nota de venda. Além disso, faça a inscrição municipal e peça o alvará.
Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.
Depois, peça a licença sanitária na vigilância local e confira as exigências do Mapa, quando aplicáveis. Por fim, organize a conta bancária e os contratos com fornecedores. Só então a empresa tá pronta pra operar com tudo em dia.
Gestão financeira no atacado agropecuário
A gestão financeira do atacado de insumos gira em torno da safra e do crédito ao produtor. O agricultor compra antes de plantar e paga depois da colheita. Por isso, o capital de giro e o risco de crédito pesam muito.
Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o custo de cada linha de produto num centro de custo próprio.
Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Compra dos insumos, armazenagem, frete, assistência técnica, câmbio e juros concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o desperdício de material corrói a margem sem ninguém perceber.
Vale um cuidado com o barter. Muitas vendas são pagas em grãos, com troca de insumos por produção futura. Por isso, cada parte da troca precisa de nota e contrato próprios.
Outro ponto é o câmbio. Fertilizantes e defensivos são cotados em dólar, e o preço muda com o mercado externo. Por isso, travar preço e prazo protege a margem.
Também vale entender as garantias. Cédulas de Produto Rural e penhor de safra protegem o recebimento. Por isso, o jurídico e o financeiro andam juntos nas vendas a prazo.
Vale olhar também o estoque. Insumos têm validade e exigem armazenagem própria. Por isso, comprar no tempo certo evita perdas e capital parado.
Por fim, crie uma reserva pra meses difíceis. Quebra de safra, queda nos preços das commodities, alta do dólar e inadimplência dos produtores podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.
Planejamento tributário para o CNAE 4692-3/00
O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 4692-3/00. Isso porque a margem baixa do atacado muda a lógica dos regimes.
Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 10 milhões de receita anual e margem de 4%, ou R$ 400 mil de lucro. No Lucro Presumido, IRPJ e CSLL somam perto de R$ 284 mil, já com o adicional.
Já no Lucro Real, sobre o lucro de verdade, IRPJ e CSLL ficam perto de R$ 112 mil. Ou seja, a diferença passa de R$ 170 mil por ano.
Contudo, o PIS e a Cofins mudam a conta. No Presumido, eles somam 3,65%, sem créditos. Já no Real, chegam a 9,25%, com créditos sobre as compras.
Por isso, quem tem margem baixa ou vende muitos produtos com alíquota zero costuma ganhar no Real. Ainda assim, a simulação precisa usar os números reais.
Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, aplicar a alíquota zero e a redução do Convênio ICMS 100/97, organizar o barter e as garantias. Também vale preparar os preços pra redução de 60% da reforma.
Perguntas frequentes sobre o CNAE 4692-3/00
O que entra no CNAE 4692-3/00?
O atacado de mercadorias em geral com predominância de insumos agropecuários.
Atacado só de fertilizantes entra no CNAE 4692-3/00?
Não. O atacado especializado fica no CNAE 4683-4/00.
O CNAE 4692-3/00 pode ser MEI?
Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.
Pode ficar no Simples?
Pode, pelo Anexo I, até R$ 4,8 milhões. Contudo, o volume e a margem do atacado podem levar ao Lucro Presumido ou ao Real.
Cooperativa pode usar este código?
Pode, quando o atacado de insumos variados for a atividade principal.
Conclusão
O CNAE 4692-3/00 é o código de quem vende mercadorias variadas, principalmente insumos agropecuários, no atacado. No entanto, não aceita MEI e exige registros por linha.
Nos impostos, vale olhar a alíquota zero dos insumos, o Convênio ICMS 100/97 e a reforma. Além disso, o cadastro precisa separar cada linha. Por isso, escolher o regime exige simulação.
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