O CNAE 2599-3/02 é o código de quem faz corte e dobra de chapas e perfis de metal no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as licenças e a reforma tributária.
Chapa cortada a laser, calha dobrada e peça recortada sob medida saem de empresas de corte e dobra. Elas atendem serralherias, indústrias e construtoras.
A siderurgia brasileira vive a pressão do aço importado. O dado é do Aço Brasil, citado pela Itatiaia. A produção de aço bruto somou 30,8 milhões de toneladas até novembro de 2025.
Foi uma queda de 1,5% sobre o mesmo período de 2024. Já as importações de laminados subiram 20,2%, e 64% delas vieram da China.
Por isso, entender o CNAE 2599-3/02 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.
O que é o CNAE 2599-3/02
A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.
O CNAE 2599-3/02 corresponde à subclasse “Serviço de corte e dobra de metais”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 25, o grupo 259 e a classe 25.99-3, dos outros produtos de metal.
Segundo a Concla, o código cobre os serviços de corte e dobra de metais. Entre eles estão o corte e dobra de calhas, ferro e aço recortados e metais dobrados.
Funções e atividades permitidas no CNAE 2599-3/02
O CNAE 2599-3/02 é o código das empresas de corte e dobra de metais. Ou seja, ele recebe quem corta e dobra chapas e perfis sob medida, sem vender o aço junto.
Primeiro, a empresa recebe o desenho e o material, comprado ou fornecido pelo cliente. Em seguida, corta a laser, plasma ou guilhotina e dobra em prensas viradeiras. Depois, entrega as peças prontas pro cliente.
Além disso, entram o corte de calhas e rufos e o recorte de peças especiais. Do mesmo modo, o corte e dobra pra indústria, sob encomenda, fica aqui.
Atividades que não se enquadram no CNAE 2599-3/02
Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.
Primeiramente, o corte e dobra ligado ao comércio de aço fica nos CNAEs 4744-0/01 e 4672-9/00. Da mesma forma, as armações pra construção usam o CNAE 2599-3/01.
Também ficam de fora a usinagem e a solda, no CNAE 2539-0/01. Do mesmo modo, a fabricação de móveis e brinquedos de metal tem outros códigos.
O CNAE 2599-3/02 pode ser MEI?
Não. O CNAE 2599-3/02 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fabricar corte e dobra.
Na real, essa atividade exige máquinas industriais, estrutura e licenças. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.
Tributação do CNAE 2599-3/02
A tributação do CNAE 2599-3/02 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?
Na indústria metalmecânica, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda pra lojas e indústrias exige nota fiscal, inscrição estadual e licenças. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.
Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide em regra sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.
PIS, Cofins, IPI e ICMS no Corte e Dobra de Metais
Aqui está o ponto central. O corte e o recorte de objetos pro uso do cliente aparecem no item 14.05 da LC 116/2003, com ISS. Contudo, o destino da peça muda a regra.
No IPI, cada produto segue a alíquota da TIPI, que pode ser zero ou reduzida. Mesmo assim, cada NCM precisa ser conferida. Do mesmo modo, o ICMS varia conforme o estado e o destino da venda.
Outro ponto é a industrialização por encomenda. Em alguns casos, o cliente fornece o material e a empresa só transforma. Se a peça voltar pra produção ou revenda, a operação segue ICMS e IPI. Foi o que o STF decidiu no Tema 816.
Vale olhar também quando a empresa fornece o aço. Nesse caso, a venda da peça cortada é operação com mercadoria, com ICMS. Por isso, o orçamento deve deixar claro quem fornece o material.
Na prática, as empresas pequenas usam o Simples. Já as médias e grandes comparam o Lucro Presumido com o Real. Por isso, a simulação faz diferença conforme a empresa cresce.
Vale olhar também o preço do aço. Ele segue o mercado internacional e o câmbio, e muda rápido. Por isso, orçamentos com validade curta e cláusula de reajuste protegem a margem.
Vale lembrar também do frete. Produtos de metal costumam ser pesados, e o transporte pesa no preço final. Por isso, a logística entra em toda negociação com o cliente.
Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 2599-3/02
No Simples Nacional, o CNAE 2599-3/02 não tá sujeito ao Fator R. A industrialização por encomenda, quando a peça volta pra produção, vai pro Anexo II. Já o serviço pro uso do cliente, com ISS, tende a ir pro Anexo III.
Como muitas empresas metalmecânicas são pequenas, o Simples é bastante usado. Mesmo assim, vale comparar com o Lucro Presumido. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.
Anexo II: venda de corte e dobra industrializados
| Faixa | Receita bruta em 12 meses (R$) | Alíquota nominal | Valor a deduzir (R$) |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até 180.000,00 | 4,50% | 0,00 |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 7,80% | 5.940,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 10,00% | 13.860,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 11,20% | 22.500,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 14,70% | 85.500,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 30,00% | 720.000,00 |
A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.
Por exemplo, uma empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 9,32%. Assim, se vender R$ 100 mil num mês, vai pagar perto de R$ 9.320 de DAS.
| Atenção: o serviço pro uso do cliente pode ter ISS, e a encomenda pra indústria tem ICMS. Por isso, cada receita precisa ser segregada no PGDAS. |
O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria metalmecânica
O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.
Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 2599-3/02, porque a indústria metalmecânica tá no Anexo II.
Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.
Reforma tributária e o CNAE 2599-3/02
A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda a tributação do setor. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.
O primeiro ponto pro CNAE 2599-3/02 é que a reforma acaba com a dúvida entre ISS e ICMS. Afinal, CBS e IBS incidem sobre bens e serviços com as mesmas regras.
Por outro lado, quase toda a venda é pra outras indústrias e construtoras, que vão aproveitar o crédito. Assim, o imposto não vira custo na cadeia. Além disso, o crédito amplo inclui energia e frete.
Também vale lembrar da transição. A partir de 2027, o IPI é zerado pra quase todos os produtos. A exceção são os que concorrem com a Zona Franca de Manaus. Já PIS e Cofins dão lugar à CBS, e o ICMS diminui aos poucos até 2033.
Calendário da transição
Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.
Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.
Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, a metalmecânica precisa separar produto, encomenda e serviço. Afinal, cada um tem um imposto diferente.
O que analisar antes de abrir o CNPJ
Antes de abrir uma empresa com o CNAE 2599-3/02, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.
Primeiro, cuide do licenciamento ambiental. A metalmecânica gera cavacos, fumos de solda, tintas e, às vezes, efluentes de tratamento. Por isso, a licença e a destinação certa dos resíduos são obrigatórias.
Depois disso, cuide da segurança do trabalho e dos Bombeiros. Prensas, tornos, guilhotinas e máquinas de solda seguem a NR-12, com proteções e treinamento. Do mesmo modo, a pintura e os gases exigem prevenção contra incêndio.
Também confira as normas do produto. Muitos produtos de metal seguem normas da ABNT, e alguns têm certificação do Inmetro. Por isso, os ensaios fazem parte do custo.
Por fim, organize os fornecedores. Aço, alumínio e outros metais seguem o mercado internacional e o câmbio. Por isso, contratos e estoque bem planejados protegem a margem.
Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 2599-3/02
Abrir uma empresa com o CNAE 2599-3/02 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria metalmecânica. Veja como funciona, na ordem certa.
Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.
Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “fabricação de corte e dobra” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.
Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de corte e dobra. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.
Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.
Por fim, obtenha a licença ambiental, o alvará e o certificado dos Bombeiros. Só então a empresa tá pronta pra produzir e vender com tudo em dia.
Gestão financeira na indústria metalmecânica
A gestão financeira da metalmecânica gira em torno do preço do aço e do prazo dos clientes industriais. Além disso, muitos pedidos são sob encomenda, com entrada e saldo. Por isso, o capital de giro precisa de folga.
Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.
Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Aço e outros metais, energia, gases, ferramentas, manutenção das máquinas e mão de obra qualificada concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.
Também vale entender a contabilidade da indústria metalmecânica. Matéria-prima, produtos em processo e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.
Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Alta do aço, atraso de clientes, perda de contratos grandes e máquinas paradas podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.
Planejamento tributário para o CNAE 2599-3/02
O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 2599-3/02. Isso porque, aqui, a venda segue a regra geral de PIS e Cofins. Assim, a comparação entre os regimes muda bastante.
Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual vendendo corte e dobra. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 9,3%.
No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins, o total chega perto de 5,93%, sem contar o ICMS. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.
Ou seja, no papel, o Lucro Presumido parece mais barato. Contudo, fora do Simples, a folha paga a contribuição previdenciária, ou a CPRB, se a empresa optar. Além disso, o ICMS vai por fora. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.
Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, conferir a NCM de cada produto e acompanhar a reforma. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.
Perguntas frequentes sobre o CNAE 2599-3/02
O que entra no CNAE 2599-3/02?
Os serviços de corte e dobra de metais. Entre eles estão o corte a laser, plasma ou guilhotina e a dobra de chapas.
Loja de aço que corta e dobra usa o CNAE 2599-3/02?
Não. O corte e dobra ligado ao comércio de aço fica nos CNAEs 4744-0/01 e 4672-9/00.
O CNAE 2599-3/02 pode ser MEI?
Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.
Pode ficar no Simples?
Sim. A industrialização por encomenda vai pro Anexo II. Já o serviço pro uso do próprio cliente, com ISS, tende a ir pro Anexo III.
Corte e dobra paga ISS ou ICMS?
Depende do destino. Se a peça volta pra produção ou revenda, tende ao ICMS. Se é pro uso do cliente, tende ao ISS.
Conclusão
O CNAE 2599-3/02 é o código de quem faz corte e dobra de chapas e perfis de metal. No entanto, não aceita MEI e exige estrutura industrial.
Nos impostos, vale olhar o regime certo e a reforma, que traz crédito amplo. Além disso, a concorrência pesa nas margens. Por isso, escolher o regime exige simulação.
Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você faz corte e dobra ou quer abrir uma empresa do ramo, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.
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