CNAE 2211-1/00 Fabricação de Pneumáticos e de Câmaras de Ar: Guia para Abrir e Tributar

Pneus novos empilhados numa fábrica, ilustrando o CNAE 2211-1/00

O CNAE 2211-1/00 é o código de quem fabrica pneus novos e câmaras de ar no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as licenças e a reforma tributária.

Carro, caminhão, moto, trator e avião dependem de pneus. Por isso, a fabricação de pneus é uma das indústrias mais tradicionais do país.

O mercado de pneus vive a pressão dos importados. Segundo a Anip, citada pelo Mercado&Consumo, as vendas das fábricas somaram 37,7 milhões de unidades em 2025.

Foi uma queda de 5,8%, o terceiro ano seguido de retração. Além disso, os importados ficaram com 59% do mercado de reposição.

Por isso, entender o CNAE 2211-1/00 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 2211-1/00

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 2211-1/00 corresponde à subclasse “Fabricação de pneumáticos e de câmaras-de-ar”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 22, a divisão 22 e a classe 22.11-1, dos pneumáticos e câmaras de ar.

Segundo a Concla, o código cobre pneus e câmaras de ar novos pra todos os tipos de veículos e máquinas. Do mesmo modo, entram partes de pneus, como a borracha de ligação e as bandas de rodagem.

Funções e atividades permitidas no CNAE 2211-1/00

O CNAE 2211-1/00 é o código das fábricas de pneus e câmaras de ar. Ou seja, ele recebe quem produz pneus novos pra montadoras e pro mercado de reposição.

Primeiro, a fábrica recebe borracha natural e sintética, negro de fumo, aço e tecidos. Em seguida, faz a mistura, monta o pneu em camadas e vulcaniza em prensas. Depois, testa, armazena e vende pras montadoras e revendas.

Além disso, entram os pneus pra tratores, máquinas agrícolas e equipamentos de mineração. Do mesmo modo, os flaps de borracha e o camelback ficam aqui.

Atividades que não se enquadram no CNAE 2211-1/00

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, os materiais de reparo de câmaras de ar ficam no CNAE 2219-6/00. Da mesma forma, a reforma de pneus usados usa o CNAE 2212-9/00.

Também ficam de fora o serviço de borracheiro, no CNAE 4520-0/06, e a revenda de pneus, num CNAE do comércio. Do mesmo modo, a reciclagem de pneus tem outro código.

O CNAE 2211-1/00 pode ser MEI?

Não. O CNAE 2211-1/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fabricar pneus.

Na real, essa atividade exige máquinas industriais, licenças e escala. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.

Tributação do CNAE 2211-1/00

A tributação do CNAE 2211-1/00 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na indústria da borracha, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda pra lojas e indústrias exige nota fiscal, inscrição estadual e etiquetagem. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide em regra sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.

IPI, ICMS, PIS e Cofins na Fabricação de Pneumáticos e de Câmaras de Ar

Os pneus novos e as câmaras de ar seguem o PIS e a Cofins monofásicos, pela Lei nº 10.485/2002. Assim, o fabricante e o importador recolhem 2% de PIS e 9,5% de Cofins. Já a revenda fica com alíquota zero.

No IPI, cada produto segue a alíquota da TIPI, que pode ser zero ou reduzida. Mesmo assim, cada NCM precisa ser conferida. Do mesmo modo, o ICMS varia conforme o estado e o destino da venda.

No ICMS, pneus e câmaras têm substituição tributária na maioria dos estados. Por isso, a fábrica recolhe o imposto da cadeia toda na saída, e a base de cálculo precisa estar certa.

Além disso, pneus novos e reformados têm certificação compulsória do Inmetro. Sem o selo, o produto não pode ser vendido. Por isso, os ensaios e a auditoria entram no planejamento.

Outro ponto é a logística reversa. A Resolução Conama nº 416/2009 obriga fabricantes e importadores a dar destinação certa aos pneus inservíveis. Por isso, esse custo precisa entrar no preço.

Na prática, as fábricas de pneus são grandes e ficam no Lucro Real. Isso porque o volume é alto e há muitos créditos a aproveitar. Por isso, o Simples quase nunca aparece nesse setor.

Vale olhar também a defesa comercial. O governo aplica direitos antidumping a pneus de alguns países, como a China. Por isso, quem importa insumos ou concorre com importados precisa acompanhar essas medidas.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 2211-1/00

No Simples Nacional, o CNAE 2211-1/00 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos produtos fabricados pela própria empresa é tributada pelo Anexo II, o da indústria. Isso vale pra todos os itens produzidos na fábrica.

Como muitas fábricas de artefatos são pequenas, o Simples é bastante usado. Mesmo assim, vale comparar com o Lucro Presumido. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo II: venda de pneus industrializados

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,50%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,80%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,0010,00%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0011,20%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,70%85.500,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0030,00%720.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 12,32%. Assim, se vender R$ 300 mil num mês, vai pagar perto de R$ 36.980 de DAS.

Atenção: pneus têm PIS e Cofins monofásicos e ICMS por substituição tributária. Por isso, quem revende pneus da fábrica precisa segregar essas receitas no PGDAS.

O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria da borracha

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 2211-1/00, porque a indústria da borracha tá no Anexo II.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 2211-1/00

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda a tributação do setor. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 2211-1/00 é que os pneus não aparecem nas listas de redução da LC 214/2025. Por isso, a tendência é pagar a alíquota cheia de CBS e IBS.

Além disso, o PIS e a Cofins monofásicos acabam em 2027, quando entra a CBS. Por outro lado, transportadoras e frotistas vão aproveitar o crédito na compra. Assim, o imposto pesa menos na cadeia.

Também vale lembrar da transição. A partir de 2027, o IPI é zerado pra quase todos os produtos. A exceção são os que concorrem com a Zona Franca de Manaus. Já PIS e Cofins dão lugar à CBS, e o ICMS diminui aos poucos até 2033.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, a fábrica de pneus precisa planejar a saída do monofásico. Afinal, em 2027 a lógica do PIS e da Cofins muda.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 2211-1/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, cuide do licenciamento ambiental. A indústria da borracha gera resíduos, aparas, fumos de vulcanização e efluentes. Por isso, a licença e a destinação certa das sobras são obrigatórias.

Depois disso, cuide da segurança do trabalho e dos Bombeiros. Misturadores, calandras e prensas seguem a NR-12, com proteções e treinamento. Do mesmo modo, caldeiras e autoclaves seguem a NR-13. Além disso, os pneus têm certificação compulsória do Inmetro.

Também confira as exigências do produto. Alguns artefatos têm certificação do Inmetro ou normas técnicas da ABNT, e outros exigem aprovação do cliente. Por isso, os ensaios fazem parte do custo.

Por fim, organize os fornecedores. Borracha natural, sintética e negro de fumo seguem o dólar e o petróleo. Por isso, contratos e estoque bem planejados protegem a margem.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 2211-1/00

Abrir uma empresa com o CNAE 2211-1/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria da borracha. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “fabricação de pneus” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de pneus. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, obtenha a licença ambiental, o alvará e o certificado dos Bombeiros. Só então a empresa tá pronta pra produzir e vender com tudo em dia.

Gestão financeira na indústria da borracha

A gestão financeira da indústria da borracha gira em torno do preço das matérias-primas, ligado ao dólar. Além disso, os clientes industriais pagam a prazo. Por isso, o capital de giro precisa de folga.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Borracha, negro de fumo, aditivos, energia, moldes, manutenção e mão de obra concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.

Também vale entender a contabilidade da indústria da borracha. Matéria-prima, produtos em processo e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Alta do dólar, concorrência de importados, perda de clientes grandes e máquinas paradas podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 2211-1/00

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 2211-1/00. Isso porque, aqui, a venda segue a regra geral de PIS e Cofins. Assim, a comparação entre os regimes muda bastante.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual vendendo pneus. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 12,3%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins, o total chega perto de 5,93%, sem contar o ICMS. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.

Ou seja, no papel, o Lucro Presumido parece mais barato. Contudo, fora do Simples, a folha paga a contribuição previdenciária, ou a CPRB, se a empresa optar. Além disso, o ICMS vai por fora. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, conferir a NCM de cada produto e acompanhar a reforma. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 2211-1/00

O que entra no CNAE 2211-1/00?

A fabricação de pneus e câmaras de ar novos pra veículos e máquinas. Também entram partes de pneus, como bandas de rodagem.

Reformar pneu usado entra no CNAE 2211-1/00?

Não. A reforma de pneus usados fica no CNAE 2212-9/00.

O CNAE 2211-1/00 pode ser MEI?

Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.

Pode ficar no Simples?

Sim, pelo Anexo II, desde que a receita fique dentro do limite de R$ 4,8 milhões.

Pneu tem PIS monofásico?

Sim. Pela Lei nº 10.485/2002, o fabricante recolhe 2% de PIS e 9,5% de Cofins. Já a revenda fica com alíquota zero.

Conclusão

O CNAE 2211-1/00 é o código de quem fabrica pneus novos e câmaras de ar. No entanto, não aceita MEI e exige estrutura industrial.

Nos impostos, vale olhar o regime certo e a reforma, que traz crédito amplo. Além disso, a concorrência pesa nas margens. Por isso, escolher o regime exige simulação.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você fabrica pneus ou quer abrir uma fábrica de pneus, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

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