Reforma Tributária para Studio de Pilates: Veja como Isso Vai Impactar o Setor

Instrutora de pilates orientando aluna no reformer, ilustrando a reforma tributária para studio de pilates

A reforma tributária para studio de pilates já começou e vai mudar a forma de cobrar planos e comprar aparelhos. Além disso, ela antecipa decisões que o empresário precisa tomar ainda em 2026. Quem administra um studio sabe que a margem depende de agenda cheia, bons instrutores e equipamentos conservados. Por isso, qualquer mudança nos impostos mexe diretamente no lucro do mês.

Neste guia, a RR Soluções Contabilidade explica o que muda, quando muda e como se preparar. Como resume Renato Ramos, fundador da RR: “quem simula agora decide com calma, e quem espera decide no susto”. Ao longo do texto, você verá exemplos práticos, prazos oficiais e os pontos que mais afetam o setor.

Por que o setor de pilates precisa se preparar

O mercado de atividade física cresceu muito na última década, e o pilates ganhou espaço em todas as faixas etárias. O estudo PIB do Esporte reúne dados da Receita Federal e do IBGE. Segundo a EY e o Instituto Sou do Esporte, o setor movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023. Esse valor representa 1,69% do PIB e sustenta 3,3 milhões de empregos formais. Além disso, as atividades recreativas responderam por 25% desse total.

Esses números mostram que o setor tem peso econômico real. Portanto, ele também sentirá os efeitos da nova tributação sobre o consumo. Studios pequenos, em especial, costumam operar com margens apertadas e pouca reserva de caixa.

Por exemplo: um studio com três instrutores e 120 alunos pode perder boa parte do lucro com uma escolha errada. Assim, entender a reforma tributária para studio de pilates deixou de ser assunto só do contador. Hoje, o tema faz parte da gestão do negócio.

O que muda com a reforma tributária para studio de pilates

A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 criaram um novo modelo de tributação sobre o consumo. Na prática, cinco tributos vão desaparecer aos poucos: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Em seu lugar, entram a CBS, de competência federal, e o IBS, dividido entre estados e municípios. Também surge o Imposto Seletivo, porém ele mira produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Para o studio, a troca mais relevante envolve o ISS e o PIS/Cofins. Hoje, o ISS varia de 2% a 5% conforme o município. Em contraste, o IBS e a CBS seguem a lógica do IVA, ou seja, um imposto sobre valor agregado. Assim, o imposto pago nas compras da empresa pode abater o imposto devido nas vendas.

Por exemplo: um studio que compra um reformer de fornecedor do regime regular poderá aproveitar os créditos dessa compra. Dessa forma, a reforma tributária para studio de pilates transforma despesas antes perdidas em créditos. Contudo, esse benefício depende do regime que o studio escolher.

Linha do tempo da reforma tributária para studio de pilates

A transição não acontece de uma vez. Primeiro, 2026 funciona como um ano de teste, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1% destacados nas notas fiscais. Nesse período, as empresas do Simples Nacional ficam dispensadas desse destaque. Já as demais podem compensar o valor com outros tributos.

Em seguida, 2027 marca a virada mais concreta. A CBS passa a valer de verdade, enquanto o PIS e a Cofins deixam de existir. Já o IBS segue com alíquota simbólica de 0,1% em 2027 e 2028. Depois, entre 2029 e 2032, o ISS e o ICMS diminuem gradualmente, enquanto o IBS cresce na mesma proporção. Por fim, em 2033, o novo sistema entra em vigor por completo.

Imagine, por exemplo, um studio aberto hoje: ele vai conviver com dois sistemas tributários por sete anos. Por isso, a reforma tributária para studio de pilates exige controles paralelos e um contador atento a cada etapa. Afinal, regras de transição costumam gerar erros justamente nos primeiros meses.

Como o studio de pilates paga impostos hoje

A maioria dos studios usa o CNAE 9313-1/00, que abrange as atividades de condicionamento físico. Segundo a Lei Complementar 123/2006, as academias de atividades físicas ficam no Anexo V do Simples Nacional. No entanto, essas atividades dependem do Fator R.

O Fator R compara a folha de pagamento, incluindo o pró-labore, com o faturamento dos últimos 12 meses. Quando essa relação atinge 28% ou mais, o studio migra para o Anexo III, que começa em 6%. Caso contrário, ele permanece no Anexo V, cuja alíquota inicial chega a 15,5%.

Studios comandados por fisioterapeutas, por sua vez, costumam usar o CNAE 8650-0/04, de fisioterapia. Essa atividade também depende do Fator R. Já os studios fora do Simples geralmente adotam o Lucro Presumido. Nesse regime, pagam PIS e Cofins cumulativos de 3,65%, além do ISS.

Por exemplo: um studio fatura R$ 40 mil por mês e tem folha de R$ 12 mil. Logo, o Fator R dele chega a 30%. Assim, ele fica no Anexo III e paga bem menos do que pagaria no Anexo V. Esse equilíbrio continua importante, já que a reforma mantém a estrutura de anexos do Simples Nacional.

Simples Nacional: a decisão que vence em 30 de outubro

A reforma preserva o Simples Nacional. Mesmo assim, ela oferece uma escolha nova às empresas optantes a partir de 2027. O studio pode continuar recolhendo IBS e CBS dentro do DAS, como acontece hoje. Alternativamente, ele pode recolher esses dois tributos pelo regime regular e manter os demais no Simples.

O prazo original terminava em 30 de setembro de 2026. Porém, o Comitê Gestor do Simples Nacional publicou a Resolução CGSN nº 194/2026. Com ela, o prazo passou para 30 de outubro de 2026. Além disso, a norma abriu uma janela de cancelamento entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Isso acontece porque o Senado deve definir a alíquota da CBS de 2027 até 15 de dezembro. A opção vale de 1º de janeiro a 30 de junho de 2027, segundo a Receita Federal.

Para a maioria dos studios, a resposta passa pelo perfil dos clientes. Quando o aluno é pessoa física, ele não aproveita crédito de IBS e CBS. Portanto, o regime regular tende a trazer pouca vantagem comercial nesse caso. Por outro lado, studios que vendem para empresas podem ganhar competitividade ao gerar créditos integrais.

Por exemplo: um studio com 90% de alunos particulares provavelmente seguirá no DAS. Em contraste, um studio que fatura metade com programas corporativos de bem-estar precisa simular o regime regular. Em ambos os casos, a reforma tributária para studio de pilates pede números reais, e não intuição.

Reforma tributária para studio de pilates no Lucro Presumido

Fora do Simples, o impacto tende a ser maior. Hoje, o studio no Lucro Presumido paga PIS e Cofins de 3,65% e ISS entre 2% e 5%. Em 2033, esses tributos darão lugar ao IBS e à CBS, cuja alíquota padrão ainda está em definição. As estimativas do Ministério da Fazenda já variaram entre 26,5% e 28%, somando os dois tributos.

Essa diferença assusta à primeira vista. No entanto, o cálculo muda de natureza, pois o novo imposto permite créditos sobre boa parte das compras. Além disso, o IBS e a CBS incidem por fora, ou seja, não entram na própria base de cálculo.

Por exemplo: imagine um studio no Lucro Presumido com receita mensal de R$ 80 mil e ISS de 5%. Atualmente, ele recolhe cerca de R$ 6.920 por mês em PIS, Cofins e ISS. Com alíquota hipotética de 26,5% e redução de 30%, a alíquota efetiva cairia para 18,55%. Assim, sem créditos, o imposto bruto chegaria a R$ 14.840 por mês.

Contudo, créditos sobre aluguel, energia e aparelhos reduzem esse valor. Ainda assim, a simulação mostra por que a reforma tributária para studio de pilates exige revisão de preços. Vale lembrar que esse cenário ilustra o regime pleno de 2033, e não o de 2027.

Redução de 30% para profissionais de educação física

A Lei Complementar 214/2025 prevê redução de 30% nas alíquotas de IBS e CBS para 18 profissões regulamentadas. Entre elas, aparecem os profissionais de educação física, listados no artigo 127. Essa regra pode beneficiar studios que atuam com educadores físicos registrados no conselho.

Contudo, a pessoa jurídica precisa cumprir requisitos cumulativos. Primeiro, todos os sócios devem ter habilitação na profissão ligada ao objeto social. Em seguida, a empresa não pode ter sócio pessoa jurídica nem participar de outras empresas. Além disso, os próprios sócios precisam prestar os serviços, e a atividade deve se limitar às habilitações deles.

Vale notar que essa redução interessa principalmente a quem recolhe IBS e CBS pelo regime regular. Afinal, dentro do DAS, o Simples Nacional mantém as próprias tabelas.

Por exemplo: duas educadoras físicas sócias de um studio podem cumprir a regra sem dificuldade. Porém, se uma holding familiar entrar no quadro societário, o benefício cai por inteiro. Portanto, antes de qualquer mudança societária, vale consultar a contabilidade.

Pilates clínico e a redução de 60% da saúde

Muitos studios oferecem pilates com finalidade terapêutica, conduzido por fisioterapeutas. Nesse caso, outra regra entra em cena. O Anexo III da LC 214/2025 lista serviços de saúde com redução de 60%. Nessa lista, a fisioterapia aparece com o código NBS 1.2301.92.00.

No entanto, a redução depende da natureza real do serviço e da classificação correta na nota fiscal. Uma aula de condicionamento físico não vira fisioterapia apenas porque um fisioterapeuta a conduz. Por isso, studios híbridos precisam separar com clareza os atendimentos clínicos das aulas regulares.

Por exemplo: um studio que oferece reabilitação pós-cirúrgica e turmas de pilates solo pode emitir notas com classificações diferentes. Dessa forma, cada serviço recebe o tratamento adequado, e o risco de autuação diminui. Se o seu studio também funciona como clínica, leia ainda o nosso conteúdo sobre a reforma tributária para fisioterapeutas.

Créditos de IBS e CBS: aparelhos, aluguel e folha

O grande trunfo do novo modelo está nos créditos. Em regra, o studio no regime regular poderá abater o IBS e a CBS pagos nas compras ligadas à atividade. Entre elas, estão reformers, cadillacs, chairs, barrels, acessórios, softwares de agenda, energia e serviços de marketing.

O aluguel também gera crédito quando o locador recolhe os novos tributos. Por outro lado, a folha de pagamento não gera crédito algum. Esse ponto pesa bastante, porque a mão de obra dos instrutores costuma ser o maior custo do negócio. Vale notar ainda que compras de fornecedores do Simples geram crédito menor, limitado ao valor que eles recolheram.

Por exemplo: um studio gasta R$ 30 mil por mês com instrutores e R$ 10 mil com aluguel e insumos. Nesse caso, ele terá créditos apenas sobre os R$ 10 mil. Assim, quanto maior o peso da folha, menor o benefício do regime regular. Por isso, a reforma tributária para studio de pilates favorece quem conhece a própria estrutura de custos.

Split payment e o caixa dos planos mensais

Outra novidade importante é o split payment. Nesse modelo, o sistema de pagamento separa o imposto no momento da transação e o envia direto ao governo. Assim, o valor que chega à conta do studio já vem sem a parcela tributária.

Para um negócio de mensalidades no cartão e no Pix, isso muda o fluxo de caixa. Hoje, o studio recebe o valor cheio e recolhe os impostos no mês seguinte. Com o split payment, essa folga desaparece aos poucos, conforme a implantação avançar.

Por exemplo: um studio que usava o dinheiro dos impostos para cobrir o aluguel perderá esse fôlego. Portanto, vale rever reservas de caixa e prazos com fornecedores desde já. Da mesma forma, a reforma tributária para studio de pilates pede atenção às taxas das maquininhas e plataformas de cobrança.

Nota fiscal, sistemas e obrigações acessórias

A transição também muda a rotina administrativa. Desde 2026, as notas fiscais de serviço trazem campos novos para IBS, CBS e classificação tributária. Além disso, a NFS-e de padrão nacional ganhou espaço e substitui modelos municipais em muitas cidades.

Na prática, o sistema de agenda e cobrança do studio precisa conversar com esse novo padrão. Caso contrário, a equipe vai emitir notas com dados incompletos e gerar retrabalho no fechamento do mês. Da mesma forma, os cadastros precisam de CPF e CNPJ corretos, porque o crédito do cliente depende desses dados.

Por exemplo: um studio que atende funcionários de uma empresa parceira precisa emitir a nota no CNPJ correto. Assim, a empresa contratante aproveita o crédito, e o contrato se torna mais atrativo. Portanto, a reforma tributária para studio de pilates também passa pela escolha de um bom software de gestão.

Preços, contratos e planos anuais

Planos semestrais e anuais exigem atenção especial. Afinal, um contrato assinado hoje pode atravessar a mudança de regime em 2027. Por isso, convém incluir cláusulas de reajuste ligadas a alterações tributárias nos contratos com alunos e empresas.

Além disso, a nota fiscal passará a destacar o IBS e a CBS separadamente do valor do serviço. Embora a transparência seja positiva, ela pode gerar dúvidas nos primeiros meses. Logo, a equipe de recepção precisa saber explicar a mudança com segurança.

Por exemplo: um plano mensal de R$ 450 pode exigir reajuste se o studio migrar sem ter créditos relevantes. Dessa forma, comunicar o motivo do ajuste com clareza ajuda a preservar a confiança dos alunos. Em outras palavras, a reforma tributária para studio de pilates também é uma questão de relacionamento.

Como preparar a reforma tributária para studio de pilates em 6 passos

Primeiro, revise o CNAE e o objeto social do studio, porque eles definem anexos, reduções e obrigações. Em seguida, calcule o Fator R dos últimos 12 meses e projete a folha para 2027. Depois, mapeie a carteira de clientes e descubra quanto da receita vem de pessoas físicas e quanto vem de empresas.

Além disso, levante todas as despesas que podem gerar crédito, como aparelhos, aluguel, energia e softwares. Em quinto lugar, simule o DAS e o regime regular antes de 30 de outubro. Lembre que a janela de cancelamento vai até 20 de dezembro. Por fim, revise contratos, preços e reserva de caixa para o split payment.

Por exemplo: um studio que segue esses seis passos em outubro chega a 2027 com a decisão tomada e documentada. Assim, a reforma tributária para studio de pilates deixa de ser ameaça e vira planejamento.

Dúvidas frequentes sobre a reforma tributária para studio de pilates

O preço das aulas vai subir?

Depende do regime e da estrutura de custos de cada studio. Quem permanece no Simples Nacional tende a sentir pouca mudança em 2027. Por outro lado, studios no Lucro Presumido com folha alta podem precisar de reajustes graduais até 2033.

Vale a pena sair do Simples Nacional?

Na maioria dos casos, não. O Simples Nacional continua vantajoso para studios com folha relevante e alunos pessoas físicas. No entanto, studios maiores, com muitos contratos corporativos, devem comparar os regimes todos os anos. Afinal, o faturamento e o perfil dos clientes mudam com o tempo.

O microempreendedor individual também muda?

O MEI continua com valores fixos mensais no DAS-MEI. No entanto, nem toda atividade ligada ao pilates está entre as ocupações que o MEI permite. Por isso, vale conferir a lista antes de formalizar o negócio dessa forma.

Quando o studio precisa decidir o regime?

O prazo para optar pelo regime regular de IBS e CBS em 2027 vai até 30 de outubro de 2026. Além disso, a empresa pode cancelar a opção entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Portanto, outubro é o mês ideal para simular os cenários com a contabilidade.

Conclusão: reforma tributária para studio de pilates exige planejamento agora

Você abriu o studio para cuidar de pessoas, corrigir posturas e ver alunos ganhando qualidade de vida. No entanto, um imposto mal planejado pode corroer justamente a margem que sustenta esse propósito. A reforma tributária para studio de pilates traz riscos, mas também abre oportunidades para quem se antecipa.

Em suma, os pontos centrais são claros. Primeiro, a decisão do Simples vence em 30 de outubro. Depois, as reduções de 30% e de 60% exigem estrutura societária e classificação corretas. Por fim, créditos, split payment e contratos pedem revisão antes de 2027.

Assim, o melhor momento para agir é agora, enquanto ainda existe prazo para simular e corrigir rotas. Fale com a RR Soluções Contabilidade e descubra qual caminho protege o caixa do seu studio. Afinal, quem planeja a reforma tributária para studio de pilates hoje continua focado no que realmente importa: os alunos.

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