CNAE 1812-1/00 Impressão de Material de Segurança: Guia para Abrir e Tributar

Folhas de ingressos com holograma numa gráfica de segurança, ilustrando o CNAE 1812-1/00

O CNAE 1812-1/00 é o código de quem imprime cheques, ingressos, selos e outros impressos de segurança no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as licenças e a reforma tributária.

Talão de cheque, ingresso com holograma, selo e cartão com tarja magnética precisam ser difíceis de falsificar. Por isso, existe um código CNAE só pra impressão de segurança.

A indústria gráfica segue relevante, mas em transformação. Segundo a Abigraf, o setor abriu 299 vagas formais no 2º trimestre de 2025.

Além disso, os clientes desse nicho, como bancos e órgãos públicos, exigem controle rigoroso. Ou seja, é um mercado de poucos e especializados. Por isso, contratos de longo prazo e auditorias dos clientes fazem parte da rotina.

Por isso, entender o CNAE 1812-1/00 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 1812-1/00

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 1812-1/00 corresponde à subclasse “Impressão de material de segurança”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 18, o grupo 181 e a classe 18.12-1, da impressão de material de segurança.

Segundo a Concla, o código cobre a impressão, sob contrato, de impressos de segurança. Entre eles estão talões de cheque, ações, títulos, cartões magnéticos, hologramas, selos e bilhetes.

Funções e atividades permitidas no CNAE 1812-1/00

O CNAE 1812-1/00 é o código das gráficas de segurança. Ou seja, ele recebe quem imprime documentos com recursos contra fraude.

Primeiro, a gráfica recebe os dados e as especificações de segurança do cliente. Em seguida, imprime com tintas especiais, numeração e marcas de difícil cópia. Depois, faz o controle de cada unidade, o acabamento e a entrega rastreada.

Além disso, entram ingressos, etiquetas antifraude, cartões e hologramas. Do mesmo modo, a impressão de dados variáveis em documentos de segurança fica aqui, com controle de cada unidade.

Atividades que não se enquadram no CNAE 1812-1/00

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, a impressão de material publicitário fica no CNAE 1813-0/01, e a de outros impressos, no CNAE 1813-0/99. Ou seja, este código vale só pros impressos com recursos de segurança.

Também ficam de fora a impressão de jornais, livros e revistas, no grupo 181.1. Do mesmo modo, a fabricação de cartões plásticos sem impressão de segurança pode ter outro código.

O CNAE 1812-1/00 pode ser MEI?

Não. O CNAE 1812-1/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fabricar impressos de segurança.

Na real, a impressão de segurança exige máquinas especiais, controle de acesso e certificações exigidas pelos clientes. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.

Tributação do CNAE 1812-1/00

A tributação do CNAE 1812-1/00 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na indústria gráfica, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda pra lojas e indústrias exige nota fiscal, inscrição estadual e etiquetagem. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra serviços é de 32% pro IRPJ e pra CSLL. Assim, o IRPJ fica perto de 4,8% da receita e a CSLL perto de 2,88%. Somando PIS e Cofins de 3,65% e o ISS do município, a carga passa de 11%.

Contudo, a produção física da indústria gráfica caiu 18,3% desde o início de 2020. Ou seja, quem cresce é quem se especializa e agrega serviço.

No IPI, cada produto segue a alíquota da TIPI, que pode ser zero ou reduzida. Mesmo assim, cada NCM precisa ser conferida. Do mesmo modo, o ICMS varia conforme o estado e o destino da venda.

Na gráfica, o ISS e o ICMS dividem espaço. Pela LC 116/2003, o item 13.05 cobra ISS da composição gráfica. Contudo, exclui os impressos que vão pra comercialização ou industrialização, como rótulos, caixas e manuais, que ficam com ICMS.

Pra gráfica, vale uma regra antiga do STJ. A Súmula 156 diz que a composição gráfica personalizada e sob encomenda paga só ISS. Por isso, impressos feitos pro uso do próprio cliente costumam ficar no ISS.

Outro ponto é o custo do papel e da tinta. No serviço com ISS, esses insumos não geram crédito de ICMS. Já na venda de impressos com ICMS, a gráfica fora do Simples pode aproveitar créditos. Por isso, o tipo de receita muda o custo real.

Na prática, as gráficas pequenas e médias usam o Simples. Já as maiores comparam o Lucro Presumido com o Lucro Real. Por isso, a simulação faz diferença conforme o volume e o tipo de trabalho.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 1812-1/00

No Simples Nacional, o CNAE 1812-1/00 não tá sujeito ao Fator R. A impressão personalizada sob encomenda tende a pagar ISS e vai pro Anexo III. Já os impressos que o cliente vai revender ou usar na industrialização vão pro Anexo II.

Como a maioria das gráficas é pequena, o Simples é bastante usado. Mesmo assim, vale comparar com o Lucro Presumido. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo III: prestação de serviços

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,006,00%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,0011,20%9.360,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,0013,50%17.640,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0016,00%35.640,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0021,00%125.640,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0033,00%648.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 600 mil de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 10,56%. Assim, se vender R$ 50 mil em serviços num mês, vai pagar perto de R$ 5.280 de DAS.

Atenção: a receita de serviço gráfico com ISS vai pro Anexo III, e a de impressos pra revenda ou industrialização vai pro Anexo II, com ICMS. Por isso, cada receita precisa ser segregada no PGDAS do jeito certo.

O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria gráfica

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 1812-1/00, porque o serviço já está no Anexo III, sem depender da folha.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 1812-1/00

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda a tributação do setor. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 1812-1/00 é que a reforma acaba com a dúvida entre ISS e ICMS. Afinal, CBS e IBS incidem tanto sobre bens quanto sobre serviços, com as mesmas regras.

Por outro lado, o crédito fica mais amplo. Muitos clientes da gráfica são empresas, que vão aproveitar o crédito de CBS e IBS. Por isso, quem tá no Simples pode avaliar recolher esses tributos por fora do DAS.

Também vale lembrar da transição. A partir de 2027, o IPI é zerado pra quase todos os produtos. A exceção são os que concorrem com a Zona Franca de Manaus. Já PIS e Cofins dão lugar à CBS, e o ICMS diminui aos poucos até 2033.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, a gráfica precisa separar o que é serviço do que é produto. Afinal, isso muda o imposto e o anexo.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 1812-1/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, cuide do licenciamento ambiental e do alvará. A gráfica usa tintas, solventes e chapas, que geram resíduos especiais. Além disso, o Corpo de Bombeiros exige o certificado de vistoria, porque papel e solventes são inflamáveis.

Depois disso, organize os contratos com os clientes.

Também cuide da segurança do trabalho. Impressoras, guilhotinas e dobradeiras exigem proteção pela NR-12. Além disso, solventes e ruído pedem ventilação e equipamentos de proteção.

Por fim, organize os contratos e as notas. Cada trabalho precisa indicar o destino do impresso. A impressão pra comercialização tende ao ICMS, e o serviço pra consumidor final tende ao ISS. Assim, a gráfica evita bitributação e autuações.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 1812-1/00

Abrir uma empresa com o CNAE 1812-1/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria gráfica. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “fabricação de impressos de segurança” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, faça a inscrição municipal e peça o alvará. Ela é indispensável pra emitir a nota fiscal de serviço e recolher o ISS. Se houver venda de produtos, peça também a inscrição estadual. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, obtenha a licença ambiental, o alvará e o certificado dos Bombeiros. Só então a empresa tá pronta pra produzir e vender com tudo em dia.

Gestão financeira na indústria gráfica

A gestão financeira da gráfica gira em torno da ocupação das máquinas e do prazo dos clientes. Máquina parada é dinheiro perdido. Por isso, o planejamento da produção e da cobrança faz toda a diferença.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Papel, tintas, chapas, energia, manutenção das máquinas e mão de obra concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.

Também vale entender a contabilidade da indústria gráfica. Matéria-prima, produtos em processo e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Queda dos pedidos, alta do papel, inadimplência e máquinas paradas podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 1812-1/00

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 1812-1/00. Isso porque a atividade é tributada como serviço, com ISS e presunção maior no Lucro Presumido.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 600 mil de receita anual em serviços. No Simples, pelo Anexo III, a alíquota efetiva fica perto de 10,56%.

No Lucro Presumido, a carga passa de 11% da receita, somando IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e ISS. Além disso, entram 20% de contribuição sobre a folha, que o Simples já inclui.

Ou seja, numa empresa pequena de serviços, o Simples costuma sair mais barato. Contudo, cada caso tem sua realidade. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, conferir a NCM de cada produto e acompanhar a reforma. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 1812-1/00

O que entra no CNAE 1812-1/00?

A impressão, sob contrato, de cheques, títulos, cartões, hologramas, selos, ingressos e outros impressos de segurança.

Imprimir folheto entra no CNAE 1812-1/00?

Não. O material publicitário fica no CNAE 1813-0/01.

O CNAE 1812-1/00 pode ser MEI?

Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.

Pode ficar no Simples?

Sim. O serviço vai, em regra, pro Anexo III, desde que a receita fique dentro do limite de R$ 4,8 milhões.

Gráfica de segurança paga ISS?

Em geral, sim, quando o impresso é personalizado pro uso do cliente. Mesmo assim, cada contrato precisa ser analisado.

Conclusão

O CNAE 1812-1/00 é o código de quem imprime cheques, ingressos, selos e outros impressos de segurança. No entanto, não aceita MEI e exige estrutura industrial.

Nos impostos, vale olhar o regime certo e a reforma, que traz crédito amplo. Além disso, a concorrência pesa nas margens. Por isso, escolher o regime exige simulação.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você tem uma gráfica de segurança ou quer abrir uma gráfica, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

Fale com um especialista da RR Soluções e descubra quanto sua empresa pode economizar com o regime certo.

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