CNAE 1314-6/00 Fabricação de Linhas para Costurar e Bordar: Guia para Abrir e Tributar

Carretéis de linha coloridos numa fábrica, ilustrando o CNAE 1314-6/00

O CNAE 1314-6/00 é o código de quem fabrica linhas pra costura, bordado e crochê no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive a etiquetagem e a desoneração da folha.

Toda peça de roupa depende de uma linha de costura. E quem fabrica essas linhas abastece desde grandes confecções até quem borda e faz crochê em casa.

O mercado é grande. Segundo reportagem do Movimento Econômico, o polo de confecções do Agreste pernambucano movimentou R$ 15 bilhões em 2025. Além disso, gera cerca de 200 mil empregos.

O setor tem peso de verdade na economia. Os dados são da Abit, citados pelo Times Brasil. Segundo a entidade, a cadeia têxtil e de confecção faturou mais de R$ 220 bilhões em 2025.

Por isso, entender o CNAE 1314-6/00 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 1314-6/00

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 1314-6/00 corresponde à subclasse “Fabricação de linhas para costurar e bordar”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 13, o grupo 131 e a classe 13.14-6, das linhas pra costurar e bordar.

Segundo a Concla, o código cobre a fabricação de linhas pra costurar e bordar de qualquer material. Isso inclui algodão, fios sintéticos, seda, lã e linhas pra crochê.

Funções e atividades permitidas no CNAE 1314-6/00

O CNAE 1314-6/00 é o código das fábricas de linhas. Ou seja, ele recebe a empresa que transforma fios em linhas prontas pra costura e bordado.

Primeiro, a fábrica torce e retorce os fios até chegar à resistência certa. Em seguida, vêm o tingimento, quando feito na mesma unidade, e o acabamento, como o lubrificante da linha industrial. Depois, as linhas são enroladas em cones, carretéis ou novelos.

Além disso, entram as linhas industriais pra confecções e as linhas de crochê pra artesanato. Do mesmo modo, a embalagem e a venda pra armarinhos fazem parte da atividade.

Atividades que não se enquadram no CNAE 1314-6/00

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, a fabricação dos fios comuns fica nos códigos de fiação, como o 1311-1/00 e o 1313-8/00. Da mesma forma, a tecelagem usa os códigos do grupo 132.

Também fica de fora a torção e o tingimento de fios feitos sob contrato pra terceiros. Nesse caso, a empresa usa o CNAE 1340-5/02. Do mesmo modo, o armarinho que só revende linhas usa um CNAE do comércio.

O CNAE 1314-6/00 pode ser MEI?

Não. O CNAE 1314-6/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fabricar linhas.

Na real, a fabricação de linhas exige máquinas de torção, tingimento e bobinagem. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.

Tributação do CNAE 1314-6/00

A tributação do CNAE 1314-6/00 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na indústria têxtil, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda pra lojas e indústrias exige nota fiscal, inscrição estadual e etiquetagem. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide em regra sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.

Além disso, o setor emprega 1,34 milhão de pessoas em cerca de 25,7 mil empresas. Por outro lado, as importações chegaram a US$ 6,81 bilhões em 2025, alta de 5,2%. Ou seja, a concorrência de fora pressiona as margens.

No IPI, muitos produtos têxteis têm alíquota zero ou reduzida na TIPI. Mesmo assim, cada NCM precisa ser conferida. Do mesmo modo, o ICMS varia conforme o estado e o destino da venda.

Outro ponto é a desoneração da folha. Empresas têxteis e de confecção fora do Simples podem optar pela contribuição sobre a receita bruta, a CPRB. Contudo, a Lei nº 14.973/2024 prevê a volta gradual da contribuição sobre a folha. Em 2026, a CPRB cai pra 60% da alíquota, e a folha paga 10%. Em 2028, volta a regra de 20% sobre a folha.

Na prática, as fábricas pequenas usam o Simples. Já as médias e grandes comparam o Lucro Presumido com o Lucro Real. Por isso, a simulação faz diferença conforme a empresa cresce.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 1314-6/00

No Simples Nacional, o CNAE 1314-6/00 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos produtos fabricados pela própria empresa é tributada pelo Anexo II, o da indústria. Isso vale pra todos os itens produzidos na fábrica.

Como muitas fábricas do setor são pequenas e médias, o Simples é bastante usado. Mesmo assim, vale comparar com o Lucro Presumido. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo II: venda de linhas industrializados

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,50%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,80%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,0010,00%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0011,20%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,70%85.500,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0030,00%720.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 9,32%. Assim, se vender R$ 100 mil em linhas num mês, vai pagar perto de R$ 9.320 de DAS.

Atenção: se a empresa vende produtos com ICMS por substituição tributária, essa parcela precisa ser segregada no DAS. Do contrário, o ICMS é pago duas vezes.

O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria têxtil

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 1314-6/00, porque a indústria têxtil tá no Anexo II.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 1314-6/00

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda a tributação das linhas. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 1314-6/00 é que esses produtos não aparecem nas listas de redução da LC 214/2025. Por isso, a tendência é pagar a alíquota cheia de CBS e IBS.

Por outro lado, o crédito fica mais amplo. Na cadeia têxtil, boa parte das vendas é pra outras empresas, como confecções e lojas. Por isso, quem tá no Simples pode avaliar recolher CBS e IBS por fora do DAS. Assim, o cliente fica com crédito integral.

Também vale lembrar da transição. A partir de 2027, o IPI é zerado pra quase todos os produtos. A exceção são os que concorrem com a Zona Franca de Manaus. Já PIS e Cofins dão lugar à CBS, e o ICMS diminui aos poucos até 2033.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, quem fabrica linhas vende muito pra outras empresas. Por isso, o crédito de CBS e IBS vai pesar na negociação.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 1314-6/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, cuide do licenciamento ambiental e do alvará. O tingimento gera efluentes com corantes, que precisam de tratamento antes do descarte. Além disso, o Corpo de Bombeiros exige o certificado de vistoria, porque fibras e tecidos pegam fogo com facilidade.

Depois disso, organize a etiquetagem. Segundo o Inmetro, a Portaria nº 118/2021 define as regras pros produtos têxteis. Entre elas estão a composição das fibras, os cuidados de conservação e a identificação do fabricante.

Também cuide da segurança do trabalho. Máquinas de fiação, teares e máquinas de costura seguem a NR-12, e caldeiras seguem a NR-13. Além disso, o ruído e o pó exigem controle e equipamentos de proteção.

Por fim, organize fornecedores e terceirizados. Fibras, fios e tecidos precisam ter origem conhecida e nota fiscal. Assim, a empresa evita autuações e riscos à marca.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 1314-6/00

Abrir uma empresa com o CNAE 1314-6/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria têxtil. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “fabricação de linhas de costura” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de linhas. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, obtenha a licença ambiental, o alvará e o certificado dos Bombeiros. Só então a empresa tá pronta pra produzir e vender com tudo em dia.

Gestão financeira na fábrica de linhas

A gestão financeira da fábrica de linhas gira em torno do estoque de cores e espessuras. Afinal, o cliente quer encontrar a cor certa na hora. Por isso, o controle de giro evita dinheiro parado em itens que vendem pouco.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Fios, corantes, energia, embalagens e mão de obra concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.

Também vale entender a contabilidade da indústria têxtil. Matéria-prima, produtos em processo e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Alta dos fios, linhas importadas mais baratas, perda de clientes grandes e estoque parado podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 1314-6/00

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 1314-6/00. Isso porque, aqui, a venda segue a regra geral de PIS e Cofins. Assim, a comparação entre os regimes muda bastante.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual vendendo linhas pra confecções. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 9,3%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins, o total chega perto de 5,93%, sem contar o ICMS. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.

Ou seja, no papel, o Lucro Presumido parece mais barato. Contudo, fora do Simples, a folha paga a contribuição previdenciária, ou a CPRB, se a empresa optar. Além disso, o ICMS vai por fora. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, avaliar a CPRB até 2028 e conferir a NCM de cada linha. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 1314-6/00

O que entra no CNAE 1314-6/00?

A fabricação de linhas pra costurar e bordar de qualquer material, inclusive linhas pra crochê.

Fabricar fio comum entra no CNAE 1314-6/00?

Não. Os fios ficam nos códigos de fiação, como o 1311-1/00.

O CNAE 1314-6/00 pode ser MEI?

Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.

Pode ficar no Simples?

Sim, pelo Anexo II, desde que a receita fique dentro do limite de R$ 4,8 milhões.

Linha precisa de etiqueta do Inmetro?

As regras de etiquetagem têxtil podem valer. Por isso, confira a Portaria Inmetro nº 118/2021.

Conclusão

O CNAE 1314-6/00 é o código de quem fabrica linhas pra costura, bordado e crochê. No entanto, não aceita MEI e exige estrutura de torção e tingimento.

Nos impostos, vale olhar a CPRB, que acaba em 2028, e a reforma, que traz crédito amplo. Além disso, a venda pra confecções valoriza esse crédito. Por isso, escolher o regime exige simulação.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você fabrica linhas ou quer abrir uma fábrica de linhas, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

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