CNAE 1062-7/00 Moagem de Trigo e Fabricação de Derivados: Guia para Abrir e Tributar

Sacos de farinha de trigo empilhados num moinho, ilustrando o CNAE 1062-7/00

O CNAE 1062-7/00 é o código de quem mói trigo pra fazer farinha, farelo e misturas pra panificação no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as licenças sanitárias e a reforma tributária.

O pão francês, o macarrão e o biscoito começam no moinho de trigo. É lá que o grão vira farinha pra padarias, fábricas e casas.

Segundo a Abitrigo, citada pela Forbes Brasil, os moinhos moeram 13,27 milhões de toneladas de trigo em 2025. Foi uma alta de 0,6% e o maior volume desde pelo menos 2021.

Contudo, o país ainda depende muito de fora. Segundo a mesma fonte, as importações somaram 6,88 milhões de toneladas, mais da metade do total moído. A Argentina sozinha mandou 5,4 milhões de toneladas.

Por isso, entender o CNAE 1062-7/00 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 1062-7/00

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 1062-7/00 corresponde à subclasse “Moagem de trigo e fabricação de derivados”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 10, o grupo 106 e a classe 10.62-7, da moagem de trigo e derivados.

Segundo a Concla, o código cobre a farinha de trigo, inclusive integral, as sêmolas e o farelo de trigo. Também inclui farinhas e massas em pó preparadas pra pães, bolos e biscoitos.

Funções e atividades permitidas no CNAE 1062-7/00

O CNAE 1062-7/00 cobre o moinho que transforma o grão de trigo em farinha e derivados. Ou seja, ele recebe o trigo e entrega farinhas pra panificação, massas e biscoitos.

Primeiro, o código abrange a recepção, a limpeza e o condicionamento do trigo. Em seguida, inclui a moagem, a separação das farinhas e o enriquecimento com ferro e ácido fólico. Por fim, cobre o ensaque e a venda.

Além disso, entram o farelo de trigo, usado em ração, e as pré-misturas pra pão, bolo e biscoito. Do mesmo modo, a farinha integral e as sêmolas ficam aqui.

Atividades que não se enquadram no CNAE 1062-7/00

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, os amidos e féculas de trigo ficam no CNAE 1065-1/01. Da mesma forma, as massas alimentícias e os biscoitos ficam em outros grupos da divisão 10.

Também fica de fora a panificação, como a padaria que faz pão, que tem códigos próprios. Do mesmo modo, o cultivo de trigo fica na agricultura.

O CNAE 1062-7/00 pode ser MEI?

Não. O CNAE 1062-7/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra moer trigo.

Na real, um moinho de trigo exige silos, bancos de cilindros, peneiras e laboratório de qualidade. Por isso, a atividade é feita por empresas, em geral de médio e grande porte.

Tributação do CNAE 1062-7/00

A tributação do CNAE 1062-7/00 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na indústria de alimentos, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda exige licença sanitária, rotulagem e nota fiscal. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide em regra sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.

Aqui a farinha leva uma vantagem importante. A farinha de trigo, da NCM 1101.00.10, e o próprio trigo têm alíquota zero de PIS e Cofins. Do mesmo modo, a pré-mistura pro pão francês também tem.

Essas regras vêm do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Contudo, outras pré-misturas, como as de bolo, e o farelo de trigo podem ter tratamento diferente. Por isso, a classificação de cada produto precisa ser conferida.

No ICMS, a farinha de trigo costuma ter substituição tributária e regras próprias em cada estado. Além disso, o trigo importado tem tributação na entrada, com câmbio e tarifas. Por isso, o contador precisa acompanhar cada operação.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 1062-7/00

No Simples Nacional, o CNAE 1062-7/00 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos produtos fabricados pela própria empresa é tributada pelo Anexo II, o da indústria. Isso vale pra todos os itens produzidos na fábrica.

Contudo, indústrias de médio e grande porte costumam ultrapassar o limite do Simples. Por isso, o Lucro Presumido e o Lucro Real entram cedo na conta. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo II: venda de produtos industrializados

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,50%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,80%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,0010,00%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0011,20%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,70%85.500,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0030,00%720.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 12,32%. Assim, se vender R$ 300 mil em farinha num mês, vai pagar perto de R$ 36.980 de DAS.

Atenção: o Simples cobra PIS e Cofins dentro do DAS, mesmo quando o produto tem alíquota zero fora dele. Por isso, quem vende em volume costuma pagar mais no Simples do que no Lucro Presumido.

O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria de alimentos

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 1062-7/00, porque a indústria de alimentos tá no Anexo II.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 1062-7/00

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, traz boas notícias pra farinha de trigo. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 1062-7/00 é a cesta básica nacional. A LC 214/2025 coloca a farinha de trigo na lista com alíquota zero de CBS e IBS. Do mesmo modo, a pré-mistura pro pão francês também entra na cesta.

Além disso, outras farinhas de cereais têm redução de 60%. Já o farelo de trigo usado em ração pode ter redução como insumo agropecuário, a confirmar por NCM.

Também vale olhar o crédito. O trigo comprado, as embalagens e a energia geram crédito no regime regular. Por isso, mesmo vendendo com alíquota zero, a gestão dos créditos faz diferença.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, quem mói trigo deve começar pela compra do grão e pelos créditos. Afinal, o trigo importado pesa muito no custo e no caixa.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 1062-7/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, peça a licença sanitária na vigilância sanitária do município ou do estado. A fábrica precisa seguir as boas práticas de fabricação da Anvisa, com controle de água, pragas e higiene. Além disso, a Anvisa exige que a farinha de trigo seja enriquecida com ferro e ácido fólico.

Depois disso, cuide da rotulagem de cada farinha. O rótulo precisa trazer ingredientes, tabela nutricional e, quando for o caso, a rotulagem frontal com a lupa. Além disso, alguns produtos exigem registro ou comunicação de início de fabricação.

Também obtenha o licenciamento ambiental. A indústria gera efluentes, resíduos e, às vezes, emissões de caldeira. Do mesmo modo, máquinas e caldeiras seguem as normas de segurança NR-12 e NR-13.

Por fim, organize a compra de trigo. Boa parte vem de importação, com regras de classificação, controle fitossanitário e câmbio. Já o trigo nacional segue padrão oficial do Ministério da Agricultura, e as notas e laudos precisam estar em dia.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 1062-7/00

Abrir uma empresa com o CNAE 1062-7/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria de alimentos. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “moagem de trigo e derivados” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de produtos. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, obtenha a licença sanitária, a licença ambiental e o alvará. Só então a fábrica tá pronta pra vender com tudo em dia.

Gestão financeira no moinho de trigo

A gestão financeira do moinho gira em torno do preço do trigo e do câmbio. Como boa parte do grão é importada, o dólar mexe direto no custo. Por isso, o caixa precisa de proteção cambial e de contratos de compra bem feitos.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Trigo, energia, embalagens, frete e mão de obra concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.

Também vale entender a contabilidade da indústria. Matéria-prima, produtos em elaboração e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Alta do trigo, variação do câmbio e quebra de safra na Argentina podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 1062-7/00

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 1062-7/00. Isso porque a farinha de trigo tem alíquota zero de PIS e Cofins. Isso muda a comparação entre os regimes.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual vendendo farinha de trigo pra padarias. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 12,3%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Como a farinha de trigo tem alíquota zero de PIS e Cofins, esses tributos não pesam. Assim, o total fica perto de 2,28%, sem contar o ICMS. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.

Ou seja, nesse cenário, o Lucro Presumido tende a sair mais barato que o Simples. Contudo, moinhos médios e grandes costumam ir pro Lucro Real, por causa do volume e dos créditos. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, proteger o câmbio e aproveitar os créditos da compra de trigo. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 1062-7/00

Fazer pão entra no CNAE 1062-7/00?

Não. A panificação tem códigos próprios. O CNAE 1062-7/00 é pra moagem do trigo.

Fazer pré-mistura de bolo entra no CNAE 1062-7/00?

Sim. Segundo a Concla, farinhas e massas em pó preparadas pra pães, bolos e biscoitos ficam no CNAE 1062-7/00.

O CNAE 1062-7/00 pode ser MEI?

Não. A moagem de trigo não está entre as ocupações permitidas ao MEI.

A farinha de trigo paga CBS e IBS com a reforma?

Não. A farinha de trigo entra na cesta básica nacional, com alíquota zero.

A farinha de trigo precisa ser enriquecida?

Sim. A Anvisa exige o enriquecimento da farinha de trigo com ferro e ácido fólico.

Conclusão

O CNAE 1062-7/00 é o ponto de partida pra organizar um moinho de trigo. Ele cobre a farinha, o farelo, as sêmolas e as pré-misturas. No entanto, não aceita MEI e exige licença sanitária, enriquecimento obrigatório e controle da compra do grão.

Nos impostos, a farinha de trigo tem alíquota zero de PIS e Cofins e entra na cesta básica da reforma. Por isso, escolher entre Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real exige simulação, e não palpite.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você trabalha com moagem de trigo ou quer abrir um moinho, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

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