CNAE 4641-9/03 Atacado de Artigos de Armarinho: Guia para Abrir e Tributar

Prateleiras com linhas, botões e zíperes, ilustrando o CNAE 4641-9/03

O CNAE 4641-9/03 é o código de quem vende aviamentos e artigos de armarinho no atacado no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive o fim do IPI e as novas regras de crédito.

Linhas, botões, zíperes e fitas abastecem armarinhos, confecções e artesãs em todo o país. Quem vende esses itens no atacado usa este código.

A cadeia têxtil segue em crescimento moderado. Segundo a Abit, citada pela IstoÉ Dinheiro, a produção do setor deveria crescer 3,1% em 2025.

Pro varejo do setor, a projeção era de alta de 3%. Por isso, o atacado de produtos têxteis tem demanda firme, mas disputada.

Por isso, entender o CNAE 4641-9/03 ajuda a se formalizar, ganhar contratos e pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 4641-9/03

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O nome oficial é “Comércio atacadista de artigos de armarinho”. Na estrutura da Concla/IBGE, ele fica na seção G, do comércio. Em seguida, vem a divisão 46, do comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas. Depois, vêm o grupo 464 e a classe 46.41-9, do comércio atacadista de tecidos, artefatos de tecidos e de armarinho.

Segundo a Concla, o código cobre o comércio atacadista de artigos de armarinho. Entram linhas de costura, botões, zíperes, elásticos, rendas e fitas.

No atacado de moda e têxteis, o CNAE certo pesa bastante. Afinal, ele define o anexo do Simples, as obrigações e o tratamento na reforma.

Funções e atividades permitidas no CNAE 4641-9/03

O CNAE 4641-9/03 é o código dos atacadistas de armarinho e aviamentos. Ou seja, ele recebe quem compra de fábricas e importadores e revende em grande quantidade.

Primeiro, a empresa compra linhas, botões, zíperes e aviamentos. Em seguida, organiza o estoque por código e cor. Depois, vende pra armarinhos, confecções, facções e lojas de artesanato.

Além disso, entram agulhas, tesouras de costura e fios de tricô. Do mesmo modo, a venda de aviamentos pra confecções em grande escala fica aqui.

Atividades que não se enquadram no CNAE 4641-9/03

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, os tecidos ficam no CNAE 4641-9/01. Da mesma forma, fios e fibras pra indústria usam o CNAE 4689-3/02.

Também ficam de fora as bijuterias, no CNAE 4649-4/10, e os artigos de papelaria, no grupo 4647.

O CNAE 4641-9/03 pode ser MEI?

Não. O CNAE 4641-9/03 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra vender armarinho no atacado.

Na real, o atacado de armarinho exige capital, depósito e inscrição estadual. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.

Vale um esclarecimento. O comércio atacadista não tem ocupação no Anexo XI do MEI. Por isso, a atividade pede uma empresa de outro porte, com inscrição estadual.

Tributação do CNAE 4641-9/03

A tributação do CNAE 4641-9/03 depende de duas perguntas. Primeiro, a empresa compra no Brasil ou importa direto? Depois, qual é o regime tributário da empresa?

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Na prática, armarinhos, confecções e lojas de artesanato exigem nota fiscal e inscrição estadual.

No PIS e na Cofins, a revenda segue, em regra, a regra geral. Ou seja, 3,65% no Lucro Presumido e 9,25%, com créditos, no Lucro Real.

No ICMS, a revenda paga a alíquota do estado, com crédito do imposto da compra. Em alguns estados, há substituição tributária ou regimes especiais pra atacadistas do setor.

Vale um cuidado com a importação. O atacadista que importa direto é equiparado a industrial pro IPI e recolhe o imposto também na revenda. Por isso, a decisão de importar muda o preço de venda.

No Lucro Presumido, a presunção pra revenda é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Contudo, as margens do atacado variam muito. Por isso, a simulação com os números reais é indispensável.

Vale olhar também o cadastro. Armarinho tem milhares de itens pequenos, cada um com NCM e regra de ICMS própria. Por isso, um cadastro bem feito evita erro em todas as notas.

Vale lembrar também do calendário. A opção pelo Simples ou pelo Lucro Presumido vale pro ano todo. Por isso, a simulação deve ser feita antes da virada do ano, com a previsão de vendas.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 4641-9/03

No Simples Nacional, o CNAE 4641-9/03 vai pro Anexo I, como comércio. A regra vale enquanto a receita ficar dentro do limite de R$ 4,8 milhões.

Contudo, quem importa direto vira equiparado a industrial pro IPI na revenda. Nesse caso, o IPI é pago fora do DAS, e a conta muda.

No Anexo I, a contribuição patronal ao INSS já vem dentro do DAS. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo I: comércio

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,00%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,30%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,009,50%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0010,70%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,30%87.300,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0019,00%378.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 8,82%. Assim, se faturar R$ 100 mil num mês, vai pagar perto de R$ 8.820 de DAS.

Atenção: o atacadista que importa direto é equiparado a industrial e paga IPI na revenda. Por isso, a decisão de importar muda toda a conta tributária.

O que é Fator R e por que ele não vale pro CNAE 4641-9/03

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 4641-9/03, porque o comércio fica no Anexo I, que não depende da folha.

Ainda assim, vale entender o conceito. Se a empresa faturar à parte serviços como consultoria ou marketing pra fornecedores, essas receitas podem cair no Anexo V. Nesse caso, o Fator R entra no jogo.

Reforma tributária e o CNAE 4641-9/03

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda bastante o comércio. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 4641-9/03 é que o armarinho segue, em regra, a alíquota padrão de CBS e IBS. Ou seja, não há redução específica pro setor na LC 214/2025.

Além disso, o IPI deve ficar zerado pra maioria dos produtos a partir de 2027. A exceção são os itens com produção incentivada na Zona Franca de Manaus. Por isso, quem importa direto precisa refazer a conta de preço.

Vale lembrar também do crédito. No regime regular, o atacadista toma crédito de CBS e IBS sobre o que compra. Por isso, quem vende pra empresas e tá no Simples pode avaliar recolher CBS e IBS por fora do DAS.

Do mesmo modo, o PIS e a Cofins acabam em 2027, e o ICMS cai aos poucos até 2033. Por isso, os preços e contratos precisam ser revistos ao longo da transição.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS caem aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, o atacado de armarinho vive de mix e de cadastro. Afinal, são milhares de itens pequenos em cada nota.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 4641-9/03, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, peça a inscrição estadual e confira as exigências do município pro depósito. O alvará precisa permitir armazenagem e comércio atacadista.

Depois disso, cuide da organização do estoque. Milhares de itens pequenos exigem endereçamento e sistema de gestão. Por isso, o controle por código evita perdas e erros de separação.

Também organize o cadastro de produtos. NCM, CEST e regra de ICMS de cada item precisam estar certos na nota. Por isso, a revisão do cadastro com o contador é essencial.

Por fim, organize a logística e o crédito. Frete, prazos e análise de crédito dos lojistas pesam muito na margem. Assim, a empresa protege o caixa.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 4641-9/03

Abrir uma empresa com o CNAE 4641-9/03 segue o processo da Redesim, com etapas próprias do atacado. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na prefeitura, com o endereço da sede e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “comércio atacadista de artigos de armarinho”. Inclua também os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra registrar as compras e emitir a nota de venda. Além disso, faça a inscrição municipal e peça o alvará.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Depois, cadastre a empresa nos sistemas de nota fiscal e, se importar, no Siscomex e no Radar da Receita. Por fim, organize a conta bancária e os contratos com fornecedores. Só então a empresa tá pronta pra operar com tudo em dia.

Gestão financeira no atacado de armarinho

A gestão financeira do atacado de moda gira em torno de coleção, estoque e prazo. A empresa compra antes da estação e vende a prazo pros lojistas. Por isso, o capital de giro e o controle de estoque pesam muito.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o custo de cada linha de produto num centro de custo próprio.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Compra dos produtos, armazém, frete, câmbio, sistemas e juros concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o desperdício de material corrói a margem sem ninguém perceber.

Vale um cuidado com o estoque parado. Coleção que não vende perde valor rápido e vira liquidação. Por isso, o giro por modelo, cor e tamanho precisa ser acompanhado.

Outro ponto é o câmbio. Quem importa compra em dólar e vende em real, com meses entre uma coisa e outra. Por isso, a proteção cambial e a formação de preço andam juntas.

Também vale entender as devoluções. Trocas e defeitos são comuns no setor e precisam de nota própria. Por isso, a política de devolução deve estar escrita nos contratos.

Vale olhar também o prazo médio. Se o atacadista paga a fábrica em 30 dias e recebe do lojista em 60, falta dinheiro no meio. Por isso, negociar prazos e usar antecipação com cuidado protege o caixa.

Por fim, crie uma reserva pra meses difíceis. Coleção encalhada, alta do dólar, inadimplência dos lojistas e concorrência de importados podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 4641-9/03

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 4641-9/03. Isso porque a margem, o volume e a importação mudam muito a conta.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 4 milhões de receita anual. No Simples, pelo Anexo I, a alíquota efetiva fica perto de 9,6%, já com ICMS e INSS.

No Lucro Presumido, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somam perto de 6,1% da receita, já com o adicional. Contudo, o ICMS e o INSS da folha vêm à parte, com crédito de ICMS sobre as compras.

Já no Lucro Real, o IRPJ e a CSLL incidem sobre o lucro de verdade. Além disso, o PIS e a Cofins geram créditos. Por isso, margens baixas costumam favorecer o Real.

Ou seja, não existe resposta pronta. A simulação precisa usar a margem, a folha e o volume de compras de cada empresa.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, decidir entre importar direto ou comprar de importadores, controlar o ICMS de cada estado e planejar a coleção. Também vale preparar os preços pro fim do IPI e pra CBS em 2027.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 4641-9/03

O que entra no CNAE 4641-9/03?

O comércio atacadista de linhas, botões, zíperes, elásticos, rendas, fitas e outros aviamentos.

Vender tecido entra no CNAE 4641-9/03?

Não. Os tecidos ficam no CNAE 4641-9/01.

O CNAE 4641-9/03 pode ser MEI?

Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.

Pode ficar no Simples?

Pode, pelo Anexo I, até R$ 4,8 milhões. Contudo, quem importa direto paga IPI fora do DAS.

Armarinho pode ficar no Simples?

Pode, pelo Anexo I, até R$ 4,8 milhões de receita.

Conclusão

O CNAE 4641-9/03 é o código de quem vende aviamentos e artigos de armarinho no atacado. No entanto, não aceita MEI e exige inscrição estadual.

Nos impostos, vale olhar o ICMS, o IPI na importação, o Simples e a reforma. Além disso, o cadastro de produtos pesa muito. Por isso, escolher o regime exige simulação.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você vende armarinho no atacado ou quer abrir um atacado de armarinho, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

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