O CNAE 4299-5/99 é o código de quem executa contenções, muros de arrimo e outras obras civis no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, que criou um regime próprio pra construção e imóveis.
Muros de arrimo, contenções de encostas e tirantes protegem estradas, prédios e cidades contra deslizamentos. Essas obras ficam num código próprio.
O investimento em infraestrutura deve ter batido recorde em 2025. Segundo estimativa da EY-Parthenon com a Abdib, divulgada pela EY, o valor chegou a R$ 280 bilhões.
A estimativa aponta alta real de 2,83%, com 84% vindos do setor privado. Já o investimento público caiu 11,05%, pra R$ 45,1 bilhões.
Por isso, entender o CNAE 4299-5/99 ajuda a se formalizar, ganhar contratos e pagar só o imposto necessário.
O que é o CNAE 4299-5/99
A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.
O nome oficial é “Outras obras de engenharia civil não especificadas anteriormente”. Na estrutura da Concla/IBGE, ele fica na seção F, da construção. Em seguida, vem a divisão 42, das obras de infraestrutura. Depois, vêm o grupo 429 e a classe 42.99-5, de outras obras de engenharia civil.
Segundo a Concla, o código cobre obras de engenharia civil sem código próprio, como tirantes, contenções e muros de arrimo. Do mesmo modo, entra a subdivisão de terras com benfeitorias, como ruas e redes.
Na construção, o CNAE certo pesa mais que em outros setores. Afinal, ele define o anexo do Simples, a desoneração da folha e o tratamento na reforma tributária.
Funções e atividades permitidas no CNAE 4299-5/99
O CNAE 4299-5/99 é o código das obras de engenharia civil sem código específico. Ou seja, ele recebe contenções, muros de arrimo, tirantes e outras obras especiais.
Primeiro, a empresa estuda o solo e define a solução de contenção. Em seguida, executa cortinas, tirantes, solo grampeado ou muros. Depois, faz a drenagem e o monitoramento da estrutura.
Além disso, entra a subdivisão de terras com benfeitorias, feita por contrato. Do mesmo modo, outras obras civis sem código próprio ficam aqui.
Atividades que não se enquadram no CNAE 4299-5/99
Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.
Primeiramente, as obras de rodovias, pontes e ruas ficam nos códigos do grupo 421. Da mesma forma, as fundações de prédios usam o CNAE 4391-6/00.
Também ficam de fora o loteamento de imóveis próprios, no CNAE 6810-2/03, e os projetos de engenharia, no CNAE 7112-0/00.
O CNAE 4299-5/99 pode ser MEI?
Não. O CNAE 4299-5/99 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fazer obras de engenharia civil.
Na real, contenções e obras especiais exigem estudo de solo, engenheiro responsável e equipamentos específicos. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade começa como microempresa.
Vale um esclarecimento. Na construção, o MEI existe pra ocupações como pedreiro e pintor, ligadas a outros códigos. Mesmo assim, o MEI só pode ceder mão de obra em poucos serviços, como hidráulica, elétrica, pintura e alvenaria. Por isso, obras de engenharia pedem uma empresa de outro porte.
Enquadramento do CNAE 4299-5/99
A execução de obras residuais de infraestrutura e engenharia civil exige CNPJ ativo, alvarás operacionais, anotação no Crea e emissão regular de notas fiscais.
Empresas de menor porte podem optar pelo Simples Nacional, enquanto construtoras consolidadas transitam entre o Lucro Presumido e o Lucro Real. No Lucro Presumido, a base de presunção para IRPJ e CSLL é de 8% e 12% na empreitada integral com fornecimento de materiais, subindo para 32% quando a contratação abrange apenas a mão de obra.
Tributação municipal: ISS e dedução de materiais
A realização dessas obras enquadra-se no item 7.02 da Lei Complementar nº 116/2003, sujeitando-se ao ISS no município da intervenção. Quando a construtora atua na infraestrutura de loteamentos para terceiros, o serviço segue essa mesma sistemática municipal, diferindo do loteador vendedor, que sofre vedações ao Simples.
Insumos fornecidos pela prestadora e incorporados à estrutura definitiva podem ser deduzidos da base do ISS, conforme tese consolidada pelo STF no Tema 247. Manter a guarda organizada das notas de compra viabiliza esse abatimento legal e impede recolhimentos a maior.
Natureza residual, CNO e desoneração
Por se tratar de um código residual de infraestrutura, revisar se o objeto do contrato não possui CNAE específico evita reenquadramentos de ofício pelo Fisco. Intervenções emergenciais de contenção de encostas e drenagem para a Defesa Civil exigem mobilização rápida de caixa e controle financeiro rígido.
Cada canteiro deve ser inscrito no Cadastro Nacional de Obras (CNO) em até 30 dias para regularização via Sero. O segmento segue o cronograma da Lei nº 14.973/2024 para transição gradual da CPRB, tornando fundamental simular os regimes fiscais antes da virada anual.
Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 4299-5/99
No Simples Nacional, o CNAE 4299-5/99 vai pro Anexo IV, o anexo da construção e das obras de engenharia. A regra tá no artigo 18, § 5º-C, da LC 123/2006.
Aqui tem uma diferença importante. No Anexo IV, a contribuição patronal ao INSS não entra no DAS. Ou seja, a empresa paga à parte 20% sobre a folha, mais o RAT.
Além disso, o Anexo IV não depende do Fator R. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.
Anexo IV: construção e obras de engenharia
| Faixa | Receita bruta em 12 meses (R$) | Alíquota nominal | Valor a deduzir (R$) |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até 180.000,00 | 4,50% | 0,00 |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 9,00% | 8.100,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 10,20% | 12.420,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 14,00% | 39.780,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 22,00% | 183.780,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 33,00% | 828.000,00 |
A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.
Por exemplo, uma empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 10,69%. Assim, se faturar R$ 100 mil num mês, vai pagar perto de R$ 10.690 de DAS. Mas lembre: o INSS patronal da folha é pago fora dessa guia.
| Atenção: as obras de engenharia civil vão pro Anexo IV do Simples, com INSS patronal fora do DAS. Por isso, a folha precisa entrar em qualquer simulação. |
O que é Fator R e por que ele não vale pro CNAE 4299-5/99
O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.
Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 4299-5/99, porque a construção fica no Anexo IV, que não depende da folha.
Ainda assim, o conceito importa na construção. Projetos de engenharia, topografia e medição, quando faturados à parte, vão pro Anexo V. Nesse caso, com folha de 28% ou mais, esses serviços passam pro Anexo III.
Reforma tributária e o CNAE 4299-5/99
A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda bastante a construção. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.
O ponto mais importante pro CNAE 4299-5/99 é o regime específico de bens imóveis, nos artigos 251 a 270. Nele, os serviços de construção civil têm redução de 50% nas alíquotas de CBS e IBS, pelo artigo 261.
Por outro lado, o crédito fica mais amplo. Construtoras do regime regular vão tomar crédito de materiais, máquinas e serviços. Por isso, quem tá no Simples e vende pra empresas pode avaliar recolher CBS e IBS por fora do DAS.
Vale olhar também as obras públicas. Nas compras do governo, a Constituição manda a arrecadação pro ente que contrata. Além disso, os artigos 373 a 377 da LC 214/2025 tratam do reequilíbrio de contratos administrativos.
Calendário da transição
Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS caem aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.
Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.
Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, quem usa um código residual precisa descrever bem cada contrato. Afinal, a descrição define o ISS, o anexo e a desoneração.
O que analisar antes de abrir o CNPJ
Antes de abrir uma empresa com o CNAE 4299-5/99, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.
Primeiro, registre a empresa no Crea do estado e indique um responsável técnico. A Lei nº 5.194/1966 exige esse registro pra empresas de engenharia. Além disso, cada contrato precisa de ART.
Depois disso, cuide da segurança do trabalho. Canteiros seguem a NR-18, e serviços em altura seguem a NR-35. Por isso, PGR, treinamentos e EPIs são obrigatórios desde o primeiro dia.
Também cuide da investigação do solo. Contenções exigem sondagem, projeto geotécnico e monitoramento. Por isso, laudos e registros de cada etapa protegem a empresa.
Por fim, prepare a empresa pra contratos maiores. Licitações pela Lei nº 14.133/2021 pedem atestados técnicos, capital mínimo e seguro-garantia. Assim, vale montar o acervo técnico desde as primeiras obras.
Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 4299-5/99
Abrir uma empresa com o CNAE 4299-5/99 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da construção. Veja como funciona, na ordem certa.
Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na prefeitura, com o endereço da sede e o CNAE principal.
Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “obras de engenharia civil”. Inclua também os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.
Na etapa seguinte, faça a inscrição municipal e peça o alvará. Ela é indispensável pra emitir a nota fiscal de serviço e recolher o ISS. Se houver venda de materiais, peça também a inscrição estadual.
Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.
Depois, registre a empresa no Crea e emita a ART de cada contrato. Por fim, cadastre cada obra no CNO assim que ela começar. Só então a empresa tá pronta pra faturar com tudo em dia.
Gestão financeira na engenharia civil
A gestão financeira de quem constrói gira em torno das medições. O cliente paga por etapa concluída, muitas vezes com prazo de 30 dias ou mais. Por isso, o capital de giro precisa cobrir a obra até cada pagamento.
Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o custo de cada obra num centro de custo próprio.
Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Aço, concreto, perfuratrizes, tirantes, mão de obra e sondagens concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o desperdício de material corrói a margem sem ninguém perceber.
Vale um cuidado com as retenções. Muitos contratos guardam uma parte de cada medição como garantia, além do INSS e do ISS na fonte. Por isso, o valor que entra no caixa é menor que o da nota.
Outro ponto é o reajuste. Obras longas sofrem com a alta de materiais e de mão de obra. Por isso, contratos com reajuste pelo INCC ou por índice setorial protegem a margem.
Também vale entender a contabilidade de obras. Em contratos longos, a receita costuma ser reconhecida conforme o avanço físico, pelo CPC 47. Por isso, orçamento e medição precisam conversar com o contador.
Por fim, crie uma reserva pra meses difíceis. Atraso de medições, surpresas no solo, chuvas e acidentes podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.
Planejamento tributário para o CNAE 4299-5/99
O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 4299-5/99. Isso porque o anexo do Simples, a folha e o tipo de contrato mudam muito a conta.
Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 1,2 milhão de receita anual e R$ 360 mil de folha. No Simples, pelo Anexo IV, o DAS fica perto de 10,69% da receita.
Só que o INSS patronal de 20% sobre a folha vem à parte, o que soma mais R$ 72 mil. Assim, a carga total passa de 16% da receita, sem contar o RAT.
No Lucro Presumido, com empreitada e todos os materiais, IRPJ e CSLL ficam perto de 2,28% da receita. Somando PIS e Cofins de 3,65% e um ISS de 3%, a conta chega a 8,93%.
Com a CPRB de 2026, o INSS fica em 2,7% da receita, mais 10% da folha. No total, a carga fica perto de 14,6% da receita.
Ou seja, com materiais e folha alta, o Presumido pode vencer o Simples. Já na obra só de mão de obra, a presunção sobe pra 32%, e o Simples tende a ganhar. Por isso, a simulação precisa usar os contratos reais.
Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, separar materiais e mão de obra no contrato, deduzir materiais do ISS e acompanhar a CPRB. Também vale planejar a reforma, já que a redução de 50% muda o preço das obras.
Perguntas frequentes sobre o CNAE 4299-5/99
O que entra no CNAE 4299-5/99?
Obras de engenharia civil sem código próprio, como tirantes, contenções, muros de arrimo e subdivisão de terras com benfeitorias.
Fundação de prédio entra no CNAE 4299-5/99?
Não. As fundações ficam no CNAE 4391-6/00.
O CNAE 4299-5/99 pode ser MEI?
Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.
Pode ficar no Simples?
Sim, pelo Anexo IV, desde que a receita fique dentro do limite de R$ 4,8 milhões. Nesse anexo, o INSS patronal é pago à parte.
Loteadora pode usar o CNAE 4299-5/99?
Não pra vender lotes. O loteamento de imóveis próprios fica no CNAE 6810-2/03 e é vedado no Simples.
Conclusão
O CNAE 4299-5/99 é o código de quem executa contenções, muros de arrimo e outras obras civis. No entanto, não aceita MEI e exige estudo de solo e responsável técnico.
Nos impostos, vale olhar o ISS da obra, a CPRB, a retenção do INSS e a reforma. Além disso, obras emergenciais pedem caixa pronto. Por isso, escolher o regime exige simulação.
Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você faz obras de engenharia civil ou quer abrir uma empreiteira, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.
| Fale com um especialista da RR Soluções e descubra quanto sua empresa pode economizar com o regime certo. |

- CNAE 4330-4/02 Instalação de Portas, Janelas e Armários: Guia para Abrir e Tributar
- CNAE 4330-4/01 Impermeabilização em Obras: Guia para Abrir e Tributar
- CNAE 4329-1/99 Outras Obras de Instalações em Construções: Guia para Abrir e Tributar
- CNAE 4329-1/05 Tratamentos Térmicos, Acústicos ou de Vibração: Guia para Abrir e Tributar
- CNAE 4329-1/04 Iluminação e Sinalização em Vias Públicas: Guia para Abrir e Tributar

