CNAE 2011-8/00 Fabricação de Cloro e Álcalis: Guia para Abrir e Tributar

Tanques de armazenagem numa indústria de cloro-álcalis, ilustrando o CNAE 2011-8/00

O CNAE 2011-8/00 é o código de quem fabrica cloro, soda cáustica e outros álcalis no Brasil. Aqui a gente explica, sem complicação, o que ele permite e como funcionam os impostos. Também mostra o que muda com a reforma tributária, inclusive as licenças e a reforma tributária.

O cloro e a soda cáustica estão no tratamento de água, na celulose, no alumínio e em muitos produtos químicos. Por isso, essa indústria é base pra vários setores.

O dado é da Abiclor, citada pelo Diário do Comércio. Segundo ela, o Brasil produziu 684,7 mil toneladas de cloro de janeiro a agosto de 2023. Além disso, foram 751,6 mil toneladas de soda cáustica.

Além disso, os investimentos em saneamento tendem a aumentar o consumo de cloro. Ou seja, é um setor ligado à infraestrutura e à saúde pública do país.

Por isso, entender o CNAE 2011-8/00 ajuda a se formalizar e a pagar só o imposto necessário.

O que é o CNAE 2011-8/00

A CNAE é o código que diz pro governo o que a sua empresa faz. Ela é mantida pelo IBGE e usada pela Receita Federal, estados e municípios. Dessa forma, o código define tributos, obrigações e até o grau de risco da atividade.

O CNAE 2011-8/00 corresponde à subclasse “Fabricação de cloro e álcalis”. Na estrutura oficial da Concla/IBGE, ele fica na seção C, das indústrias de transformação. Em seguida, vem a divisão 20, o grupo 201 e a classe 20.11-8, do cloro e álcalis.

Segundo a Concla, o código cobre a fabricação de gás cloro. Além disso, inclui hidróxidos e óxidos de metais alcalinos, como a soda cáustica.

Funções e atividades permitidas no CNAE 2011-8/00

O CNAE 2011-8/00 é o código da indústria de cloro-álcalis. Ou seja, ele recebe quem produz cloro e soda cáustica, em geral a partir do sal.

Primeiro, a fábrica prepara a salmoura, uma solução de sal e água. Em seguida, faz a eletrólise, que separa o cloro, a soda cáustica e o hidrogênio. Depois, armazena, envasa ou transporta os produtos em condições seguras e com controle rígido.

Além disso, entram o hidróxido de potássio e outros álcalis. Do mesmo modo, a venda pra saneamento, celulose, alumínio, vidro e química faz parte da atividade, em geral com contratos longos.

Atividades que não se enquadram no CNAE 2011-8/00

Algumas atividades parecidas ficam de fora e pedem códigos próprios. Por isso, vale conhecer esses limites antes de emitir a primeira nota.

Primeiramente, o dióxido de cloro e o hidróxido de lítio ficam no CNAE 2019-3/99. Da mesma forma, os hidróxidos de metais alcalino-terrosos, como o de magnésio, usam o mesmo código.

Também ficam de fora os produtos de limpeza feitos com cloro, como a água sanitária. Eles usam códigos da indústria de limpeza. Do mesmo modo, a extração de sal fica na divisão 08.

O CNAE 2011-8/00 pode ser MEI?

Não. O CNAE 2011-8/00 não aparece no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, que lista as ocupações permitidas ao MEI. Portanto, não dá pra abrir um MEI pra fabricar cloro e soda cáustica.

Na real, a fábrica de cloro-álcalis exige eletrólise, licenças complexas e plano de emergência. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código. Por isso, a atividade é feita por empresas de grande porte.

Tributação do CNAE 2011-8/00

A tributação do CNAE 2011-8/00 depende de duas perguntas. Primeiro, a operação funciona como pessoa física ou jurídica? Depois, se for empresa, qual é o regime tributário?

Na indústria química, a pessoa física não é uma opção na prática. A venda pra lojas e indústrias exige nota fiscal, inscrição estadual e etiquetagem. Por isso, o caminho é a pessoa jurídica.

Como pessoa jurídica, a empresa escolhe entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. No Lucro Presumido, a presunção pra venda de mercadorias é de 8% pro IRPJ e 12% pra CSLL. Já a contribuição previdenciária incide em regra sobre a folha, em 20%. Além disso, acima de R$ 78 milhões de receita, o Lucro Real é obrigatório.

O cloro e os álcalis seguem a regra geral de PIS e Cofins. Além disso, pagam IPI e ICMS conforme a NCM e o estado. Por isso, a fábrica no Lucro Real costuma aproveitar créditos de energia e matérias-primas.

No IPI, cada produto segue a alíquota da TIPI, que pode ser zero ou reduzida. Mesmo assim, cada NCM precisa ser conferida. Do mesmo modo, o ICMS varia conforme o estado e o destino da venda.

Além disso, a energia elétrica é o principal custo da eletrólise. Por isso, contratos de energia e o crédito sobre ela pesam muito no resultado.

Na prática, as fábricas de cloro-álcalis são grandes e ficam no Lucro Real. Isso porque o faturamento é alto e há muitos créditos a aproveitar.

Vale olhar também o transporte. Cloro e soda cáustica são produtos perigosos, com regras rígidas de transporte e armazenagem. Por isso, a logística entra no custo e no risco do negócio.

Além disso, o hidrogênio e outros subprodutos da eletrólise podem gerar receita extra. Por isso, vale planejar o uso ou a venda desses produtos, que também entram na apuração dos tributos.

Tabela do Simples Nacional atualizada para o CNAE 2011-8/00

No Simples Nacional, o CNAE 2011-8/00 não tá sujeito ao Fator R. A venda dos produtos fabricados pela própria empresa é tributada pelo Anexo II, o da indústria. Isso vale pra todos os itens produzidos na fábrica.

Contudo, indústrias químicas de grande porte costumam ultrapassar o limite do Simples rapidamente. Por isso, o Lucro Presumido e o Lucro Real entram cedo na conta. A tabela abaixo segue a Lei Complementar nº 123/2006, com redação da LC nº 155/2016, vigente em 2026.

Anexo II: venda de cloro e soda cáustica industrializados

FaixaReceita bruta em 12 meses (R$)Alíquota nominalValor a deduzir (R$)
1ªAté 180.000,004,50%0,00
2ªDe 180.000,01 a 360.000,007,80%5.940,00
3ªDe 360.000,01 a 720.000,0010,00%13.860,00
4ªDe 720.000,01 a 1.800.000,0011,20%22.500,00
5ªDe 1.800.000,01 a 3.600.000,0014,70%85.500,00
6ªDe 3.600.000,01 a 4.800.000,0030,00%720.000,00

A alíquota efetiva segue uma conta simples. Multiplique a receita de 12 meses pela alíquota nominal e tire a parcela a deduzir. Depois, divida o resultado pela mesma receita.

Por exemplo, uma empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual chega a uma alíquota efetiva de cerca de 12,32%. Assim, se vender R$ 300 mil num mês, vai pagar perto de R$ 36.980 de DAS.

Atenção: se a empresa vende produtos com ICMS por substituição tributária, essa parcela precisa ser segregada no DAS. Do contrário, o ICMS é pago duas vezes.

O que é Fator R e por que ele não vale pra indústria química

O Fator R é uma conta do Simples Nacional que compara a folha de pagamento com o faturamento. Ele soma 12 meses de salários, pró-labore e encargos e divide pela receita do mesmo período. Quando o resultado chega a 28%, alguns serviços saem do Anexo V e vão pro Anexo III.

Essa troca pode derrubar a alíquota inicial de 15,5% pra 6%. Por isso, o Fator R é estratégico pra consultorias, clínicas e empresas de tecnologia. No entanto, ele não afeta o CNAE 2011-8/00, porque a indústria química tá no Anexo II.

Ainda assim, vale entender o conceito. Imagine que a empresa passe a vender consultoria técnica pra outros negócios como atividade secundária. Nesse cenário, o Fator R entra no jogo, e o contador acompanha a relação entre folha e receita.

Reforma tributária e o CNAE 2011-8/00

A reforma tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, muda a tributação do setor. Ela troca PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos. A CBS é federal, enquanto o IBS fica com estados e municípios.

O primeiro ponto pro CNAE 2011-8/00 é que o cloro não aparece nas listas de redução da LC 214/2025. Por isso, a tendência é pagar CBS e IBS com alíquota cheia.

Por outro lado, quase toda a venda é pra outras empresas, que vão aproveitar o crédito. Assim, o imposto não vira custo na cadeia.

Também vale lembrar da transição. A partir de 2027, o IPI é zerado pra quase todos os produtos. A exceção são os que concorrem com a Zona Franca de Manaus. Já PIS e Cofins dão lugar à CBS, e o ICMS diminui aos poucos até 2033.

Calendário da transição

Em 2026, a CBS de 0,9% e o IBS de 0,1% aparecem como teste nas notas do regime regular. Em seguida, em 2027, a CBS entra pra valer e PIS e Cofins deixam de existir. Depois, entre 2029 e 2032, o ICMS cai aos poucos. Por fim, em 2033, o novo sistema fica completo.

Pra quem tá no Simples Nacional, tem um prazo que já passou e merece atenção. A opção pelo Simples para 2027 foi antecipada pra setembro de 2026, pela Resolução CGSN nº 186/2026. No mesmo período, a empresa definiu se pagaria IBS e CBS dentro ou fora do DAS. Quem não optou ainda tem nova chance em março de 2027.

Segundo Renato Ramos, fundador da RR HUB, a indústria de cloro precisa olhar o crédito de energia. Afinal, ele é o maior custo da operação.

O que analisar antes de abrir o CNPJ

Antes de abrir uma empresa com o CNAE 2011-8/00, vale fazer um checklist completo. Essa análise evita gastos à toa e protege a operação de multas.

Primeiro, cuide do licenciamento ambiental e da análise de risco. O cloro é tóxico, e a fábrica precisa de plano de emergência e controle contínuo. Do mesmo modo, alguns produtos químicos podem ter controle da Polícia Federal.

Depois disso, cuide do licenciamento ambiental e do Cadastro Técnico Federal no Ibama. A indústria química e de combustíveis tem alto potencial poluidor e de risco.

Também cuide da segurança do trabalho e dos Bombeiros. Produtos inflamáveis, corrosivos ou tóxicos exigem projeto de prevenção, treinamento e equipamentos de proteção. Do mesmo modo, máquinas e caldeiras seguem as normas NR-12 e NR-13.

Por fim, organize o transporte e os fornecedores. O transporte de produtos perigosos segue regras da ANTT, e cada insumo precisa de origem conhecida e nota fiscal. Assim, a empresa evita multas e acidentes.

Passo a passo para abrir CNPJ com o CNAE 2011-8/00

Abrir uma empresa com o CNAE 2011-8/00 segue o processo da Redesim, com etapas próprias da indústria química. Veja como funciona, na ordem certa.

Primeiro, defina o tipo jurídico, como Sociedade Limitada Unipessoal ou Sociedade Limitada com sócios. Em seguida, faça a consulta de viabilidade na Junta Comercial, com o endereço e o CNAE principal.

Depois da aprovação, monte o contrato social com o objeto “fabricação de cloro e soda cáustica” e os CNAEs secundários. Logo após, registre o documento na Junta Comercial e obtenha o CNPJ na Receita Federal.

Na etapa seguinte, peça a inscrição estadual na Secretaria da Fazenda. Ela é indispensável pra emitir nota fiscal de venda de cloro e soda cáustica. Além disso, providencie o certificado digital da empresa e o cadastro no emissor de notas.

Em seguida, escolha o regime tributário. Se for pro Simples Nacional, faça o pedido no Portal do Simples Nacional. Pra empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026, a opção feita na abertura também vale pra 2027.

Por fim, obtenha a licença ambiental, o alvará e o certificado dos Bombeiros. Só então a empresa tá pronta pra produzir e vender com tudo em dia.

Gestão financeira na indústria química

A gestão financeira da fábrica de cloro-álcalis gira em torno do custo da energia elétrica. A eletrólise consome muita energia, e o preço dela define a margem. Por isso, contratos de longo prazo de energia são estratégicos.

Em primeiro lugar, separe as contas da empresa das contas pessoais. Essa separação é exigida pela contabilidade e facilita o acesso ao crédito. Além disso, acompanhe o rendimento da matéria-prima e o custo por quilo produzido.

Em segundo lugar, controle os custos que mais pesam. Energia elétrica, sal, manutenção, transporte especial, licenças e mão de obra concentram boa parte do orçamento. Da mesma forma, o controle das perdas na produção melhora a margem.

Também vale entender a contabilidade da indústria química. Matéria-prima, produtos em processo e produtos prontos precisam de controle separado. Além disso, máquinas e equipamentos são ativo imobilizado e precisam ser depreciados. Por isso, o custeio por produto evita distorções no lucro.

Por fim, crie uma reserva pra anos difíceis. Alta da energia, acidentes químicos, multas ambientais e queda da demanda industrial podem apertar o caixa rapidinho. Portanto, juntar reserva financeira, seguro e controle de dívidas é questão de sobrevivência.

Planejamento tributário para o CNAE 2011-8/00

O planejamento tributário é onde a contabilidade mais gera valor pro CNAE 2011-8/00. Isso porque, aqui, a venda segue a regra geral de PIS e Cofins. Assim, a comparação entre os regimes muda bastante.

Veja um exemplo ilustrativo. Pense numa empresa com R$ 3,6 milhões de receita anual vendendo cloro e soda cáustica. No Simples Nacional a alíquota efetiva fica em torno de 12,3%.

No Lucro Presumido, o IRPJ efetivo fica em 1,2% e a CSLL em 1,08% da receita. Somando 3,65% de PIS e Cofins, o total chega perto de 5,93%, sem contar o ICMS. Além disso, entra a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha.

Ou seja, no papel, o Lucro Presumido parece mais barato. Contudo, fora do Simples, a folha paga a contribuição previdenciária, ou a CPRB, se a empresa optar. Além disso, o ICMS vai por fora. Por isso, a simulação precisa ser feita com os números reais.

Além do regime, outras decisões fazem diferença. Por exemplo, comparar os regimes, conferir a NCM de cada produto e acompanhar a reforma. Também vale acompanhar a regulamentação da reforma pra cada produto.

Perguntas frequentes sobre o CNAE 2011-8/00

O que entra no CNAE 2011-8/00?

A fabricação de gás cloro, soda cáustica, hidróxido de potássio e outros álcalis.

Fazer água sanitária entra no CNAE 2011-8/00?

Não. Os produtos de limpeza têm códigos próprios.

O CNAE 2011-8/00 pode ser MEI?

Não. Pela lista oficial, não há ocupação do MEI ligada a este código.

Pode ficar no Simples?

Sim, pelo Anexo II, desde que a receita fique dentro do limite de R$ 4,8 milhões.

Cloro tem redução na reforma?

Em regra, não. Por isso, a tendência é pagar CBS e IBS com alíquota cheia, com crédito pro comprador.

Conclusão

O CNAE 2011-8/00 é o código de quem fabrica cloro, soda cáustica e outros álcalis. No entanto, não aceita MEI e exige estrutura industrial.

Nos impostos, vale olhar o regime certo e a reforma, que traz crédito amplo. Além disso, a concorrência pesa nas margens. Por isso, escolher o regime exige simulação.

Com a reforma tributária em andamento, a hora de planejar é agora. Se você produz cloro ou álcalis ou quer abrir uma indústria química, conte com a RR Soluções Contabilidade. A gente analisa sua operação, compara cenários e mostra o caminho com menos imposto e mais segurança.

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