A Reforma Tributária foi desenhada para ser neutra na arrecadação total do país, mas neutra no total não significa neutra item por item. Alguns setores ganham alíquota reduzida, e essa conta precisa fechar em algum lugar. Na prática, isso significa que determinados serviços e produtos vão custar mais a partir de 2027.
Conhecer essa lista com antecedência ajuda tanto quem vende quanto quem compra a se planejar antes que a alíquota definitiva chegue.
Por que alguns preços sobem em uma reforma pensada para ser neutra
O novo modelo troca cinco tributos cumulativos por dois tributos não cumulativos, o IBS e a CBS. Nesse sistema, a empresa desconta na venda o imposto já pago na compra de insumos. O problema é que nem todo custo gera crédito. Folha de pagamento, por exemplo, não gera crédito nenhum, o que penaliza justamente os negócios que dependem mais de mão de obra do que de insumos físicos.
Serviços intensivos em mão de obra sentem o maior aumento
Escritórios de advocacia, consultorias, empresas de tecnologia, segurança patrimonial e facilities estão entre os mais expostos. Hoje, esse tipo de negócio paga algo perto de 8,65% somando ISS municipal e PIS/Cofins cumulativo, sem direito a crédito. Com a Reforma Tributária, a CBS sozinha já deve ficar perto de 9%, e ainda soma o IBS por cima.
Profissões regulamentadas, como advocacia, engenharia e arquitetura, conseguiram uma redução de 30% sobre a alíquota padrão, o que leva a carga efetiva a ficar perto de 18,5% a 19,6%. Ainda assim, isso representa mais que o dobro do que se paga hoje. Já consultorias, agências e empresas de TI que não estão na lista de profissões regulamentadas podem pagar a alíquota cheia, próxima de 28%.
Saneamento básico é um dos casos mais chamativos
Segundo estimativas de mercado, a conta de água e esgoto deve sair de uma carga efetiva próxima de 9,74% hoje para a alíquota cheia de cerca de 28% com o novo modelo. Isso acontece porque o saneamento não entrou na lista de serviços essenciais com redução, mesmo estando ligado à saúde pública. É um dos exemplos mais citados por especialistas quando o assunto é aumento de preço para o consumidor final.
Produtos do Imposto Seletivo ficam mais caros de propósito
Diferente do IBS e da CBS, o Imposto Seletivo não busca neutralidade. Ele foi criado justamente para encarecer produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Cigarros e bebidas alcoólicas entram nessa lista, com alíquotas corrigidas periodicamente. Veículos poluentes também sofrem incidência adicional, o que deve encarecer modelos com maior emissão de carbono em relação aos elétricos e híbridos.
Alimentos industrializados fora da cesta básica
A Cesta Básica Nacional de Alimentos ficou com alíquota zero de IBS e CBS, o que beneficia itens como arroz, feijão e frutas. Já alimentos industrializados que não entram nessa lista, como bolachas recheadas, refrigerantes e outros produtos processados, pagam a alíquota cheia. Na prática, isso aumenta a diferença de preço entre o alimento in natura e o industrializado equivalente.
Um caso à parte: voos internacionais
Passagens aéreas internacionais também entram na lista de itens sob pressão de alta com a Reforma Tributária, com proposta de tributação de 14% sobre o valor da passagem e 28% sobre cargas a partir de 2027. Já detalhamos esse debate especificamente em outro artigo, incluindo a reação de companhias aéreas e associações do setor.
Nem tudo sobe: setor financeiro e planos de saúde têm regra própria
Vale um contraponto importante. Bancos, seguradoras e planos de saúde entraram em um regime específico, com metodologia de cálculo própria homologada pelo TCU. O objetivo declarado dessa regra é manter a carga tributária desses setores próxima do que já pagavam entre 2022 e 2023, e não necessariamente aumentá-la. Ou seja, nem todo serviço financeiro vai ficar mais caro por causa da reforma.
O que fazer diante desse cenário
Como reforça Renato de Paiva Ramos, fundador da RR Soluções, o erro mais comum é esperar a alíquota da Reforma Tributária sair para só então reagir. Primeiro, mapeie se o seu negócio está entre os setores intensivos em mão de obra, porque esse é o grupo com maior risco de aumento real de carga.
Em seguida, simule o repasse ao preço final considerando as faixas estimadas, de 18,5% a 28% conforme o caso. Por fim, revise contratos de longo prazo com fornecedores e clientes antes que a alíquota definitiva seja publicada, porque um contrato fechado sem margem de segurança pode corroer a margem assim que a cobrança real começar.
Perguntas frequentes sobre o que fica mais caro com a Reforma Tributária
Todo serviço fica mais caro com a Reforma Tributária?
Não. Serviços de saúde e educação têm redução de 60%, e profissões regulamentadas têm redução de 30%. Quem fica mais exposto é o serviço sem regime específico e com alta concentração de custo em folha de pagamento.
O consumidor vai sentir esse aumento de imediato?
Não em 2026, que é ano de teste com alíquotas simbólicas. O efeito real sobre o preço começa a aparecer a partir de 2027, quando a CBS entra em vigor com alíquota cheia.
Existe alguma lista oficial e fechada do que fica mais caro?
Ainda não por completo. Parte das listas, como a da cesta básica nacional, segue em definição pelo Comitê Gestor do IBS, com previsão de publicação até o final de 2026.
Seu setor está na lista dos que ficam mais caros?
Descobrir isso depois que o preço já subiu é a pior hora para reagir. Cada contrato fechado sem margem de segurança tributária é um risco que fica mais difícil de corrigir depois que a alíquota definitiva sai.
Fale com a RR Soluções e entenda se o seu negócio está entre os que vão sentir esse aumento, e como se preparar antes que ele chegue ao seu preço final.
→ Fale com a RR Soluções e proteja a margem do seu negócio na Reforma Tributária.


